ATENÇÃO: LIVRO "PRONTO PRA GUERRA" DISPONÍVEL PARA VENDA!
Contato para cursos, workshops, palestras e consultorias: leandropaiva@prontopraguerra.com.br

Superação: se regenerou e vive do ensino de Boxe


Material audiovisual supreendente, no qual consta a história do homem que encontrou motivos para ressocialização por meio de Arte Marcial. Atualmente, além de ser professor da modalidade, continua com um projeto que pretende realizar o mesmo feito com os que ainda estão com dificuldades de socialização. Bem interessante.

Leandro Paiva



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Se antecipando às ações do adversário



Pense na seguinte situação:

No MMA, é mais um dia difícil de treino. Na simulação de combate competitivo (sparring), seu adversário (ou melhor, companheiro de treino) é instruído a utilizar repetitivamente uma sequência de socos como isca, para fechar a distância em você antes de jogar um direto de direita no seu queixo. Novamente, ele avança com mais um soco. Suas mãos podem até defender. Ele começa a jogar outra, mas de repente ele muda e joga um gancho de esquerda abaixo das costelas inferiores - e acerta seu fígado.

Você estava prestando atenção. Estava acompanhando os padrões dele. Entretanto, o que aconteceu?

Mal falando, a antecipação é como uma previsão. É a sua capacidade de determinar o que vai ocorrer. É também uma característica física que demanda habilidade de percepção bem específica. Nas lutas, sua perícia na defesa depende de quão bem você vai se antecipar ao adversário, interpretanto as ações dele e escolhendo com sabedoria (em frações de segundos), a melhor resposta. Além disso, como - e quão rapidamente - você executará a ação.

O bloqueio de um cruzado, por exemplo, é na realidade o resultado final de um complexo processo psicológico. Por meio de interpretação e percepção dos movimentos oculares de seu oponente é possível apresentar em contrapartida várias sugestões de ações, dinâmicas e velozes.

Os olhos fixam em uma ou mais pistas que podem sinalizar a intenção de um oponente. Assim, o sistema visual põe essas pistas em contexto para perceber a profundidade, velocidade e trajetória, enviando sinais para áreas relevantes do cérebro para interpretá-los. O cérebro percebe que tipo de ações pode sinalizar as pistas, então escolhe o que parece mais provável. Instantaneamente, ele gera um menu correspondente de respostas, e escolhe o melhor para a situação. Na sequência, envia a substância química necessária e mensagens elétricas por intermédio do sistema nervoso para executar essa resposta.


Ações "desonestas" - como fintas - são sinais que indicam uma ação, quando algo é realmente pretendido. De certo modo, podemos afirmar que um combate corporal entre dois indivíduos é uma "guerra de percepção".

Diversos psicólogos e cientistas do Treinamento Desportivo têm estudado como se processa a antecipação de habilidades motoras e esforços atléticos. Muitas vezes, nos estudos são comparados os desempenhos de atletas experientes com os novatos para descobrir o que faz com que alguns sujeitos sejam melhores do que outros nos movimentos típicos de luta, contra um adversário.

Velocidade e agilidade (apesar de serem treináveis, são bem delimitadas por fatores genéticos), obviamente, tem algo a ver com a experiência de antecipação, mas não é apenas isso que influencia o tempo de reação. Em algumas pesquisas descobriram que o tempo de reação simples - necessário para responder a um estímulo-alvo - é bem similar entre atletas experientes e iniciantes. Mas a defesa nas artes marciais exige mais do que um tempo de reação simples: depende da reação a estímulos variados e complexos.

Para antecipar um ataque do adversário, temos de saber que tipos de pistas para procurar, para poder vê-los e interpretar o que esses sinais podem nos dizer. A acuidade visual é relevante; contudo, não basta uma boa visão.

A dinâmica da acuidade visual - a capacidade de perceber com precisão objetos em movimento - é uma obrigação. Comportamentos de busca visual também desempenham papel fundamental. São os padrões e as velocidades em que seus olhos se fixam e assimilam sugestões de movimentos em particular. Depois de fixar os olhos em alguma coisa, seu campo focal de visão estreita em um ângulo de cerca de três graus.

Você tem de confiar muito na visão periférica, em particular para a detecção de movimento. Finalmente, há os sinais em si - o que afinal você está procurando? Novamente, alguns estudos verificaram que a principal diferença entre os atletas mais experientes e os novatos na antecipação de ações do adversário (com larga vantagem nesse contexto para os mais experientes) é que muitas vezes eles olham para pistas diferentes.

O que parece ser mais importante com relação a percepção não é a boa visão ou necessariamente o que eles vêem, mas como utilizam a informação que percebem. Nas modalidades esportivas de combate, simples alterações posturais do oponente fornecem algumas das melhores informações sobre as suas intenções. Às vezes, esse aprendizado é adquirido pela compreensão da biomecânica da técnica. Por outro lado, pode ser compreendido também por padrões perceptuais mais exigentes, como no âmbito de um adversário específico.

O que tende a distinguir os especialistas na "guerra de percepção" dos combates é a capacidade de antecipar como os sinais de um oponente se relacionam com suas intenções, ou melhor, suas habilidades antecipatórias superiores. Lutadores experientes tendem a ser capazes de identificar um ataque do adversário e os padrões de defesa com muito mais rapidez, facilidade e precisão do que seus colegas iniciantes. Eles aprenderam com a experiência de treinamentos e competições por anos a fio, que as ações são mais propensas para seguir do que as sugestões. Também conseguiram adaptar esse conhecimento para que seja melhor observado algum adversário atual. Possuem desempenho superior na seleção de resposta diante das ações do adversário, contribuindo para melhor decisão tática.

Como melhorar a experiência perceptiva? Com bastante prática, principalmente. O que é mais útil, entretanto, é a prática com retorno de informações (feedback). Obter feedback de seu parceiro de treino (sparring) e/ou outro observador sobre como você pode telegrafar suas ações.

Outra forma de melhorar a antecipação às ações do adversário é escolher um determinado período - de uma a duas vezes por semana - no qual você vai se concentrar em aprender a se antecipar ao adversário. Como regra geral, não é para ser analítico e ficar parado em frente a um adversário, pensando em como se antecipar.

Depois de um intervalo para descanso, minutos após o sparring, deve haver pausa para refletir sobre o que você observou e aprendeu sobre isso. Em seguida, realize nova simulação de combate (sparring). Use esse combate como forma de testar as hipóteses ou teorias que desenvolveu sobre as sugestões de seu oponente. Por meio de tentativa e erro veja o que funciona. Depois, reflita novamente alguns minutos, tentando visualizar padrões específicos de sinalização do adversário. Após isso, desligue a parte analítica e tente fluir naturalmente a sessão de sparring, sem pensar em nada, só ação e reação.

Leandro Paiva


Referências:


1) Borum, R. Anticipating Your Opponent’s Action. Black Belt Magazine, 2009;

2) Paiva, L. Pronto Pra Guerra: Preparação Física Específica para Luta & Superação. Amazonas: OMP Editora, 2009.


Observação: No
livro Pronto Pra Guerra, apresentamos diversas metodologias de preparação física, psicológica e técnico-tática para ampliar a capacidade de antecipação às ações do adversário.
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Venda do livro "Pronto Pra Guerra" em outros países



Os leitores deste Blog que moram no exterior e outros que também residem em outros países e mandam diariamente e-mails para a OMP Editora desejando comprar o livro, agora podem comemorar. Ele já pode ser comprado de forma simples e entregue rapidamente para, praticamente, qualquer país nos cinco continentes. Conseguimos esse feito por meio de parceria inédita com a livraria cultura. Basta entrar no site www.livrariacultura.com.br

Ao entrar, escreva o título do livro (Pronto Pra Guerra) e, ao ser alocado para informações sobre o mesmo, basta seguir as instruções de cadastro e compra, similares a qualquer loja virtal. Rápido, fácil, barato e seguro!

Aproveitando, divulgaremos adiante uma lista com os 30 países de onde recebemos mais visitas neste Blog e no site oficial do livro, ressaltando novamente que em todos eles o livro pode ser comprado e entregue rapidamente pelo site da livraria cultura. Segue:


1 - Portugal;
2 - Estados Unidos;
3 - Japão;
4 - Peru;
5 - Argentina;
6 - Espanha;
7 - Chile;
8 - Canadá;
9 - Reino Unido (Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte);
10 - França;
11 - Alemanha;
12 - Suécia;
13 - Itália;
14 - Equador;
15 - Chile;
16 - Austrália;
17 - Emirados Árabes Unidos;
18 - Polônia;
19 - Holanda;
20 - Panamá;
21 - Uruguai;
22 - Costa Rica;
23 - Angola;
24 - Turquia;
25 - Israel;
26 - México;
27 - Nova Zelândia;
28 - Rússia;
29 - Áustria;
30 - Bélgica.
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Preparação Física MMA, Jiu-Jitsu, Submission e Grappling


Material audiovisual inédito contendo vasta gama de exercícios específicos e não específicos para o MMA, Jiu-Jítsu, Submission e Grappling. Destaque para o exercício realizado com "Saco de Potência Búlgaro" (veja ilustração acima). Além dele, dentre outros, observamos exercícios orientados para Potência, Potência-Resistência e Pliométricos.

Leandro Paiva

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Abstinência sexual antes da luta?

Carl Froch e a namorada, Rachel.


Fonte de debates polêmicos e quase sempre desprovidos de suporte científico é o tema de sexo antes da luta. Será que prejudica a performance desportiva? Segue informações publicadas essa semana no portal da globo.com e, logo a seguir, suporto este artigo com mais um vídeo do canal Pronto Pra Guerra no Youtube. A reflexão cabe a cada um, baseado nas evidências científicas.

Leandro Paiva



Pugilista faz abstinência sexual de um mês antes de luta, mas perde o cinturão. Após deixar o ringue, Carl Froch anunciou que sua namorada está grávida.


Situação constrangedora no boxe britânico. O pugilista Carl Froch fez abstinência sexual por mais de um mês em nome de sua integridade física para a defesa do cinturão dos supermédios do Conselho Mundial de Boxe. No entanto, a falta de sexo com a modelo Rachael Cordingley, não adiantou nada e ele perdeu a luta para o dinamarquês Mikkel Kessler por decisão unânime dos juízes.

Antes de entrar no ringue, Froch acumulava 26 vitórias consecutivas. Para manter a invencibilidade, ele anunciou que faria a abstinência sexual.

- Você não deixa um cavalo macho cruzar antes de uma corrida. Mulheres deixam as pernas fracas. Mas, para mim, não é um sacrifício, e digo isso tendo em mente que Rachael foi Miss há dois anos. Ela é modelo e uma mulher linda. Mas boxe é mais importante. Minha vida está em jogo – disse ele, em entrevista ao jornal britânico “The Guardian”.

Apesar de não fazer sexo com sua namorada há um mês, Froch revelou, após a luta, que Rachael está grávida e que quer descansar para receber o filho ao lado da modelo.

- Foi uma luta equilibrada. Levei grandes socos de um grande boxeador. Dou o crédito todo para ele. É um ótimo guerreiro. Agora, estou ansioso por algumas semanas de folga. Minha namorada está grávida e eu quero comemorar o nascimento do nosso bebê – contou.


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Prevenção de lesões no MMA


Material contendo exercícios para prevenir lesões no MMA, produzido pelo fisioterapeuta Rafael Persichini. No primeiro, é utilizada uma Flex-Bar. No segundo, cinto de tração e no terceiro, cinto de tração com bola. Bom para incorporar no planejamento pós-competição ou mesmo na rotina com intuito de profilaxia (prevenção).

Leandro Paiva






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Boxe Amador x Estresse x Boxe Profissional


É possível que alguém trabalhe em um emprego formal de 09 às 18h e, ainda assim, consiga se tornar atleta profissional? É muito difícil, mas não impossível. O material que segue é baseado em fatos reais da história deste homem que conseguiu aliar o trabalho à rotina de atleta e o melhor: conseguiu invejável cartel recheado de vitórias.

Leandro Paiva


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Estratégias durante a perda de "peso"



Na seção Alimentação e Suplementação deste Blog, em diversos artigos abordei a temática de perda de "peso" de lutadores. Sempre lembrando que a denominação correta é redução de massa corporal, mas como a frase "perda de peso" já está bastante popularizada, seguimos utilizando. Apesar de já ter abordado o tema em profundidade no livro Pronto Pra Guerra, pela primeira vez escrevo aqui sobre algumas das estratégias básicas a se considerar durante esse processo.

Alimentação

Em alguns estudos foi demonstrado que pode haver manutenção da performance em atividades similares às exigidas nas modalidades de combate, mesmo consumindo dieta hipocalórica (de "baixa caloria"), desde que seja rica em carboidratos.

É possível que a dieta rica em carboidratos ajude a manter estável o glicogênio muscular (espécie de "loja de energia ou combustível") e, consequentemente, melhore o desempenho em comparação com a dieta pobre em carboidratos, mas com mesmo número de calorias.

Comparando dieta para perder "peso" rica em carboidratos com outra rica em proteínas, alguns pesquisadores verificaram que na dieta rica em proteína, o desempenho não foi mantido. No entanto, havia tendência para melhor recuperação e normalização do desempenho com a dieta rica em carboidratos.

Suplementação

Arginina, BCAA, cromo e creatina são alguns dos suplementos que já foram testados para verificar seus efeitos durante a redução de "peso" de lutadores. A tese seria que tais suplementos aumentariam a perda de gordura, manteriam a massa muscular magra e/ou o desempenho, amenizando as consequências advindas do jejum ou da desidratação.

Foi observado que o BCAA pode ajudar a reduzir gorduras, particularmente viscerais. Contudo, os resultados ainda precisam ser replicados por outros pesquisadores. A utilização de creatina durante um período de 4 dias de redução de "peso" pareceu promover melhor equilíbrio de nitrogênio (evitando a perda de massa muscular magra). Houve também forte tendência de melhora em sprints (ou "tiros") com a ingestão de creatina.

A Arginina e o cromo não tiveram os efeitos esperados sobre a manutenção de massa muscular magra ou redução do "peso" em gordura.

Vale salientar que muitos atletas ainda utilizam compostos denominados de termogênicos que contém efedrina em sua composição. Além de ser considerada substância dopante pela Agência Mundial Anti-doping - AMA, tem sido associada a diversos casos de morte, inclusive com lutadores. Em função da possibilidade de aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial em repouso, os atletas que desejam reduzir "peso" devem ser desencorajados a utilizar esses "suplementos". Existe relato na literatura de atleta de MMA de Curitiba que teve de ser submetido a cirurgia cardíaca de emergência, na qual os médicos relacionaram a causa do problema à auto-medicação de suplemento contendo efedrina.


Perda rápida de "peso" comparada a perda lenta

Foi verificado em estudo prévio que a rápida redução de "peso" em comparação com uma redução mais demorada promoveu melhor estado para depleção de vitaminas, ou seja, o déficit e normalização de vitaminas era mais eficiente pelo método de perda rápida. Tal fato foi associado a incapacidade de os atletas em readquirir nutrientes perdidos em longo prazo mais rapidamente, além do que em longo prazo observou-se que a deficiência é mais severa.


Refeições menores, mas frequentes podem ajudar o balanço positivo de nitrogênio, relacionado a ganho/manutenção de massa muscular magra. Além disso, foi verificado que, durante 2 semanas de perda de "peso", um grupo de boxeadores que consumiu seis pequenas refeições por dia, comparado a um grupo que consumiu apenas duas grandes refeições, tiveram menor perda de massa muscular magra. Resultado similar já fora observado antes com atletas que necessitam de muita força e potência (ginastas): maior frequência de refeições e menos déficits de energia durante o dia foram associados à magreza.


Leandro Paiva


Referências:

1) Kordi, R.; Maffulli, N.; Wroble, R.; Wallace, W. (Editors). Combat Sports Medicine. Springer: London, 2009;

2) Paiva, L. Pronto Pra Guerra: Preparação Física Específica para Luta e Superação. Amazonas: OMP Editora, 2009.
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Exercícios de Preparação Física p/ MMA


Segue material contido no canal Pronto Pra Guerra do Youtube. Contém diversos exercícios realizados no alto rendimento de atletas de MMA. Bem prático e ao mesmo tempo explicativo em função de os exercícios serem realizados corretamente, respeitando o gesto motor das lutas (no caso dos exercícios específicos).

Leandro Paiva


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Incidência de lesões no MMA brasileiro


Em outro artigo neste Blog havia abordado sobre a incidência de lesões no MMA. Entretanto, a pesquisa ressaltava os atletas competidores do evento norte-americano UFC. Dias depois, recebi e-mail de um leitor me questionando com a seguinte pergunta: será que no Brasil, ou melhor, nos eventos brasileiros de MMA, os dados verificados seriam os mesmos?

Para elucidar essa questão, divulgo adiante os resultados de um estudo recém publicado, realizado pelo fisioterapeuta Rafael Freire. Nele, foi verificada a incidência de lesões ocorridas no evento Brasil Fight MMA.

O evento aconteceu no dia 13 de março de 2010, em Belo Horizonte. Reuniu 17 lutadores profissionais de MMA brasileiros e um lutador profissional americano. Destes, 10 lutadores, representando aproximadamente 60%, sofreram lesões que necessitaram de atendimento fisioterápico imediato após o término das lutas.

Foram diagnosticadas um total de 17 lesões importantes, uma média de 1,7 por lutador. Dessas, 52,94% foram contusões, 17,64% cortes, 11,76% entorses e 11,76% estiramentos.

No Brasil Fight MMA, a articulação do tornozelo foi o segmento corporal mais lesionado, representando aproximadamente 30% das lesões. A articulação do joelho, coxa e face ficaram logo atrás, representando 12% cada. Lesões de tórax, braço, cotovelo, mão, perna e nariz representaram 6% cada.

Quanto ao mecanismo de lesão, 53% ocorreram em razão de golpe do lutador adversário, sendo 62,5% chutes e 37,5% socos. 47% das lesões ocorreram em função de golpe do próprio lutador, sendo 44,44% chutes, 33,33% socos, chave de perna e queda 11,11% cada.

O atendimento fisioterápico imediato foi realizado de acordo com cada lesão. A crioterapia (gelo) foi a conduta mais utilizada, com objetivo de reduzir a dor e edema. Bandagens funcionais também foram muito utilizadas, para estabilizar as articulações lesionadas.


Leandro Paiva


Referência: Freire, R. Incidência de lesões no Brasil Fight MMA. Tatame (Informa), 13 de abril de 2010.
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Exercícios de Preparação Física para atletas de Jiu-Jitsu e MMA


Material inédito, publicado hoje, com enfoque em diversos exercícios direcionados para o Jiu-Jítsu e MMA. De fato, constitui a prática da preparação física para atletas de alto rendimento nessas modalidades. Conteúdo bem interessante.

Leandro Paiva

P.S: Sou contra a realização de exercícios utilizando snorkel como alguns mostrados no vídeo. Além de contraproducente, infere em riscos cardiovasculares desnecessários. Verso em detalhes sobre esse tema no livro Pronto Pra Guerra.


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Jiu-Jitsu nos Jogos Olímpicos de 2016

Segue material audiovisual explicativo resolvendo em definitivo a questão se o Jiu-Jitsu vai entrar ou não nos Jogos Olímpicos de 2016. Diversos políticos e personalidades da luta questionam e respondem a questão proposta por diversos atletas e técnicos.

Leandro Paiva



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Preparação Psicológica para Lutadores


Material audiovisual contendo aspectos clínicos e práticos da preparação psicológica de lutadores. Nele, referências dos bastidores da preparação de jovens talentos que almejam sucesso nas modalidades esportivas de combate. Vale a pena conhecer um pouco mais desse trabalho.

Leandro Paiva


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Exercícios de Preparação Física p/ MMA e Jiu-Jitsu


Segue material audiovisual contendo diversos exercícios bem aplicados no MMA, Jiu-Jitsu, Submission e Grappling. Além de curto e prático, apresenta algumas variações necessárias para driblar a sobrecarga psicológica e evitar estabilização dos resultados quando existe pouca diversificação nas sessões de treino.

Leandro Paiva




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Auto-estima de lutadores de Jiu-Jitsu



Como anda a auto-estima dos atletas brasileiros de Jiu-Jítsu antes e após as competições? Lembrando que auto-estima pode ser definida, dentre outras atribuições, como a avaliação subjetiva que um indivíduo faz de si, sendo positiva ou negativa.

Para responder à questão inicial proposta neste artigo, seguem os principais dados de uma pesquisa publicada recentemente, na qual identificaram os níveis de auto-estima de 12 experientes lutadores que participaram do campeonato Brasileiro ou Sul Brasileiro de Jiu-Jitsu.


Leandro Paiva



Introdução


De acordo com Voli (1998), a auto-estima não pode ser simplesmente um sentimento de auto-satisfação, dada sua grande relevância nas relações com os outros e com o meio. Quando o meio em destaque é a competição, fica evidente a influência da cobrança sobre o atleta e isso implica em uma ligação direta com o seu desempenho.

Okazaki; Keller e Coelho (2005), numa pesquisa feita com uma modalidade de esporte coletivo, conclui que a auto-estima pode ser um dos fatores que influencia no resultado da competição e no nível técnico dos atletas, estabelecendo, também, uma relação entre a auto-estima e performance. Da mesma maneira podemos considerar que a auto-estima passa a ser, também, a principal demonstração de confiança e de bem estar dentro das particularidades do esporte individual, no caso desta pesquisa, o jiu-jitsu propriamente dito aliado à competição. Jabu (2000), ainda afirma que na competição o importante é ser competente, disputar com dignidade, obedecendo às regras e, quando possível, ganhar.

Mesmo assim os atletas de jiu-jitsu, quando em fase de pré-competição, tem quase que exclusivamente por objetivo a vitória e é nesse momento que a auto-estima torna-se um fator decisivo no controle do crescimento pessoal frente às situações de rendimento, já que o nível da auto-estima, segundo Branden (2000), não é algo fixo e nem definido, podendo vir a sofrer alterações.

No jiu-jitsu não é diferente, o desgaste mental sofrido pelo atleta é muito grande, até mesmo atletas mais experientes e melhor preparados podem sofrer um descontrole de suas ações devido às pressões e emoções não controladas por ele mesmo. O próprio lutador de jiu-jitsu é quem deve reconhecer as características de sua personalidade adotando uma conduta adequada em relação às diferentes respostas das situações competitivas ou até mesmo da simples prática de exercícios físicos (GRACIE, 2001).

Segundo Sonstroem e Morgan (1989), a auto-estima tem revelado ser a variável psicológica que melhor traduz os benefícios psicológicos da prática de exercícios físicos, além disso, pesquisas têm revelado que os indivíduos praticantes de exercícios físicos apresentam níveis mais positivos de auto-estima global quando comparados com aqueles que não praticam (SONSTROEM; HARLOW e JOSEPHS, 1994).

Branden (2000), em sua definição preliminar utiliza a palavra “confiança” para designar auto-estima, atribuindo-a como a capacidade de enfrentar desafios. Esta convicção/confiança é tanto um fator motivacional quanto de comportamento, visto que para o lutador de jiu-jitsu ela se encaixa melhor na forma de autoconfiança, podendo até ser definida como uma crença de que o atleta pode realizar com sucesso um comportamento desejado, despertando atitudes positivas (WEINBERG e GOULD, 2001).

Considerando que o nível da auto-estima influencia o comportamento do atleta e que as situações competitivas também podem provocam mudanças nos níveis de auto-estima, o presente estudo teve como objetivo comparar os níveis de auto-estima dos lutadores de jiu-jitsu entre os períodos pré e pós-competição.

Resultados

Ainda nos níveis de auto-estima dos lutadores de jiu-jitsu, constatamos que 58,3% dos lutadores de jiu-jitsu tiveram um aumento no grau de sua auto-estima, 33,3% mantiveram os mesmos níveis e apenas 8,3% tiveram uma diminuição.

Os resultados obtidos nesta pesquisa nos mostram uma mudança de comportamento positiva decorrente da alteração nos níveis de auto-estima dos lutadores de jiu-jitsu. Essa mudança nos níveis de auto-estima foi gerada, quase que exclusivamente, pela situação competitiva, ou seja, o papel da competição nesta pesquisa foi definido como incentivador indo de encontro ao pensamento de De Rose (2001), o qual menciona que qualquer que seja o nível do atleta envolvido ou do esporte disputado, a competição representa um constante desafio tornando-se uma ameaça ao atleta.

Para os sujeitos desta pesquisa a competição foi vista como um processo natural e não apresentou conceito negativo em relação à auto-estima. Mesmo os atletas já apresentando uma auto-estima elevada no período pré-competitivo, foi após a competição que percebemos aumento considerável, concentrando-se de maneira alta.

A própria situação competitiva pode ter proporcionado aos atletas um novo perfil de avaliação pessoal e emocional, ou seja, os lutadores sentiram-se mais confortáveis com sua auto-imagem. Branden (2000), ainda descreve que esses lutadores podem ter se tornado atletas mais persistentes frente às dificuldades, com um maior preparo para trabalhar os entraves que surgem no cotidiano, sejam eles pessoais e profissionais.

Esses resultados reforçam a idéia de Abrantes (1998), o qual afirma que o fato de o indivíduo ser confrontado diretamente com uma dificuldade física ou com um desafio psicológico e conseguir ultrapassá-lo, acarretará em mudanças na sua imagem corporal, na sua auto-imagem e no seu sentido de realização. A própria competição é um exemplo desses confrontos, uma vez que ela cria uma interação entre os fatores pessoais como os de personalidade e de comportamento (MARTENS; VEALLEY e BURTON, 1990).

Uma pesquisa feita por Cardenas (2003) revelou diferenças significativas nos estados emocionais de jogadores de futsal nas competições e nos treinamentos. Essas diferenças vão ao encontro dos resultados obtidos nesta pesquisa já que podemos fazer uma possível associação do estado emocional do atleta com o nível de auto-estima, pois de acordo com Hurtado (2004), falar de auto-estima é falar de emoções fortemente ligadas ao indivíduo.

Cardenas (2003) identifica em sua pesquisa que tanto nos mbatpredominante no atleta na competiçionais de jogadores de futsal treinamentos quanto nas competições, o estado inicial predominante dos atletas é compatível como sendo ótimo, modificando-se apenas em alguns atletas no final das competições. Dessa maneira percebe-se uma grande semelhança entre o resultado dos dois estudos, visto que na atual pesquisa a auto-estima também se encontrava elevada no período de treino (pré-competição).

Podemos salientar, ainda, a mesma influência que a competição causou em ambas as pesquisas provocando alterações tanto nos níveis de auto-estima como também no estado emocional dos atletas.

Além disso, de acordo com o estudo de Okazaki; Keller e Coelho (2005), há correlação significativa entre o resultado da competição e auto-estima. Entretanto, o baixo valor de correlação obtido no estudo indica que vários outros fatores podem estar interferindo nessa associação, o que justifica nossa opção por não medir a auto-estima relacionada ao desempenho. De acordo com Branden (2000), atletas estão mais bem preparados para lidar com situações de derrota, o que explica a questão positiva da competição independente de ter vencido ou perdido.

Conclusão

De acordo com a escala de Rosenberg (1965) foi possível identificar valores elevados de auto-estima dos lutadores de jiu-jitsu antes da competição. A despeito disso, mais da metade dos lutadores apresentaram nível de auto-estima pós-competição melhor do que pré-competição.

Tal fato refletiu positivamente, causando diferença significativa nos níveis de auto-estima dos lutadores de jiu-jitsu pós-competição. Assim, conclui-se que para os lutadores de jiu-jitsu a competição pode ser vista como um fator motivacional de caráter positivo, podendo ser responsável pelo aumento nos níveis de auto-estima da grande parte dos lutadores.

O estudo contribui no sentido de sugerir para treinadores e lutadores a participação em eventos competitivos, uma vez que os dados indicam que eles podem trazer reflexos positivos na melhora de um importante componente psicológico, a auto-estima. Isso pode trazer conseqüências interessantes referentes ao desempenho dos sujeitos.

Referência:

Souza, D. et al. Auto-estima de lutadores de jiu-jitsu no período pré e pós-competição. Revista Digital EFDeportes, Año 14, Nº 142, 2010.
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Arma Humana - Judô


Segue neste artigo material audiovisual inédito com registros históricos e geográficos do Judô. Documentário interessante, distribuído pelo History Channel. Nele, além das características anteriores, são demonstradas por meio de animação 3D aspectos anatômicos e biomecânicos dos golpes, como força e velocidade em que atinge o oponente e fatores relacionados ao centro de gravidade e desequilíbrio. Além do próprio Judô, essas informações ampliam nossa visão sobre os golpes, especialmente se adaptarmos ao Jiu-Jítsu e MMA, esportes que também se utilizam de tais técnicas.


Leandro Paiva











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MMA, Jiu-Jitsu, Judô e Submission: Bandagem Funcional pode prevenir reincidência de lesões no Joelho

Maurício Shogun na época em que teve de se submeter a uma cirurgia para corrigir lesão no ligamento cruzado anterior de seu joelho esquerdo.



No MMA, Jiu-Jítsu, Submission e Judô, por serem práticas de intenso contato físico, a ocorrência de lesões ligamentares do joelho tende a ser maior e mais grave comparados aos esportes onde não há contato como voleibol e tênis de mesa, por exemplo. Dentre diversos ligamentos do joelho (veja imagem adiante), a ocorrência de lesões no ligamento colateral medial (LCM) é elevada. No livro Pronto Pra Guerra apresentamos referências dessas lesões com atletas de Jiu-Jítsu.


Ligamentos do Joelho


Em artigo prévio, os autores, todos japoneses, procuraram associar uma técnica denominada de Taping, também conhecida no Brasil, dentre outras nomenclaturas, como “bandagem funcional” com a prevenção de lesões e alivio de dor (além de segurança subjetiva psicológica) de lutadores. Essa técnica japonesa não invasiva e de baixo custo tem o objetivo de ser o mais funcional possível, ou seja, por meio de fixação de fitas de esparadrapos sobre a pele, promover ótimo posicionamento do segmento e/ou alívio imediato de dores, sem no entanto, restringir a articulação, apenas limitando o movimento indesejado ou o sintoma relatado pelo atleta, mantendo a mobilidade articular.

Taping


No artigo, os pesquisadores relataram que utilizaram a técnica com obtenção de resultados favoráveis com 5 atletas de modalidade de combate (Judô) com lesão grau 1 ("rasgo" incompleto sem instabilidade lateral) e grau 2 (ruptura parcial com ligeira instabilidade lateral). Além disso, afirmaram que os lutadores já haviam recebido permissão médica para o retorno à prática quando aplicaram a técnica. Ressaltaram ainda que, apesar de indícios bem positivos e favoráveis, desejam aprofundar os estudos e introduzir a técnica em escala maior.

Leandro Paiva


Referência:

Nagao, A. et al. Usage of taping to prevent recurrence of knee Ligament injury in Judo - Taking cases of medial collateral Ligament as examples. In: 6th International Science of Judo Symposium - 2009, Rotterdam, The Netherlands.

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Anatomia do Nocaute


Material audiovisual contendo informações aprofundadas sobre o que ocorre no processo traumático denominado popularmente de nocaute. Adendo às explicações: o narrador relatou que a denominação médico-científica de nocaute é convulsão severa, mas o termo correto é concussão severa.


Leandro Paiva




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Alongamento antes da luta melhora a performance e previne de lesões no MMA e Jiu-Jitsu?


Sempre sou questionado sobre esse assunto: alongamento previne de lesões? Alongamento antes do treino de luta ou antes da competição melhora o desempenho? Segundo uma revisão abrangente do tema na literatura científica a resposta é não para as duas perguntas.

Nesse artigo, os autores verificaram no total 43 estudos sobre o tema e chegaram às seguintes conclusões:

1) A prática do alongamento agudo (logo antes do treino e/ou competição) apresenta efeito prejudicial à performance muscular e a realização antes do exercício não implica em menor número de lesões;

2) O alongamento crônico (realizado frequentemente - sessões específicas e reservadas para desenvolver a flexibilidade) acarreta em melhoras na performance e prevenção de lesões em longo prazo. Vale salientar que sempre é recomendável a realização de exercícios de alongamento somente após o aquecimento;

3) Acredita-se que há outros mecanismos, provavelmente relacionados ao processo de aquecimento, que justificaria menor incidência de lesões e melhora na performance.

Além desse estudo baseado em revisão de literatura, no livro Pronto Pra Guerra apresento informações sobre algumas pesquisas realizadas com atletas de Jiu-Jitsu e Taekwondo nas quais verificou-se redução da força ou da potência nos exercícios e/ou golpes subsequentes aos alongamentos. Fiquem atentos!

Sugiro realizar treinamento de flexibilidade em sessão de treino separada e, além disso, como citado, ser precedido de aquecimento geral (corrida e/ou trote por 5-10 minutos).

Leandro Paiva


Referências:

1) Almeida, P. et al. Alongamento Muscular: suas implicações na performance e na prevenção de lesões. Fisioterapia em Movimento, v.22, n.3, p.335-343, 2009;

2) Paiva, L. Pronto Pra Guerra: Preparação Física Específica para Luta e Superação. Amazonas: OMP Editora, 2009.

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A Ciência das Artes Marciais: Bruce Lee - 3D


Material audiovisual baseado no lendário Bruce Lee que faz (ou melhor, faria) 70 anos em 2010. Não é enriquecido de estudos inéditos, mas o grande diferencial é o ineditismo gráfico revitalizando aúdio e vídeo de, aproximadamente, 30 anos atrás. Bom saudosismo!

Leandro Paiva




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Fadiga em lutadores



A fadiga (e seus mecanismos) é tema científico complexo, bem debatido e ainda não totalmente esclarecido em função de estudos e resultados conflitantes em diversas pesquisas. Não é diferente quando o foco são as Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate.

Um fato é praticamente certo: grande parte dos atletas de modalidades esportivas de combate vai sentir fadiga (redução reversível do desempenho físico e/ou psicológico) ou cansaço (sensação subjetiva de desgaste físico) em algum estágio de sua carreira. Dentre causas mais simplórias estão o estresse e/ou falta de sono. A presença de alguma patologia (doença) pode ser outra causa, porém, mais grave e complexa, requerendo investigação mais aprofundada.

A fadiga em lutadores, de modo geral, muitas vezes é apenas temporária, causada pelo aumento na quantidade ou intensidade de treinamento. Geralmente desaparece quando o corpo se adapta (ou ajusta) ao novo trabalho. Vale lembrar que a fadiga aguda (intensa e momentânea) ocorre durante o exercício e pode estar relacionada a diversos fatores nutricionais, tais como esgotamento de reservas energéticas, glicose sanguínea baixa (hipoglicemia) e, frequentemente, desidratação. No entanto, ela pode persistir se tornando condição crônica (de longa duração) que necessita de mais investigação. Uma adequada nutrição é muitas vezes ignorada como fator limitante ao desempenho contribuindo demasiadamente para a fadiga. Em muitos casos, uma simples mudança nos hábitos alimentares pode aumentar os níveis de energia e melhorar o desempenho dos lutadores. Nesse artigo, as informações serão pautadas principalmente sob esse contexto, ou seja, a associação de fadiga com fatores nutricionais.

Os principais sintomas relacionados a fadiga aguda e, principalmente, crônica são:

• Elevada freqüência cardíaca de repouso;
• Queda no desempenho;
• Aumento da sensação de esforço;
• Dor muscular;
• Perda de "peso" súbita;
• Perda de apetite;
• Baixa resistência às infecções;
• Distúrbios do sono;
• Depressão.

Tenho total consciência de que as atividades diárias de um atleta no alto rendimento, independentemente se é iniciante, intermediário, elite ou superelite, muitas vezes indisponibiliza mais tempo para fazer compras e preparar adequadamente os alimentos. Ausência ou baixo consumo de carnes magras, laticínios, frutas e legumes, juntamente com apreço pessoal por comidas rápidas e industrializadas (biscoito, macarrão instantâneo, etc.), pode ser mais um fator agravante à fadiga persistente, redução da imunidade e saúde em geral.

Dietas para perder "peso" costumam ser algo "natural" de atletas de modalidades de combate e o consumo inadequado ou indiscriminado de suplementos nutricionais, apesar de temporários, muitas vezes mascaram em longo prazo problemas nutricionais relevantes.

Outro fato comum, é o abuso de substâncias ricas em cafeína. Já foi abordado o tema "cafeína" em outro artigo neste Blog. Um lutador pode até utilizar alimentos que contenham cafeína para minimizar a fadiga (Ex: café, guaraná, refrigerantes, etc.), mas isso pode agravar sintomas de fadiga crônica com o prolongamento do uso. A cafeína pode interferir com os padrões naturais de sono, o que torna difícil para o atleta conseguir dormir, conduzindo ao cansaço já pela manhã, obrigando-o, assim, a utilizar mais cafeína para começar "bem" o dia.

O auxílio dos carboidratos

Carboidrato é fonte de energia primordial para o desempenho atlético. Na tabela 1 adiante, estão contidos alguns exemplos de carboidratos. Eles são armazenados como glicogênio muscular, uma espécie de "loja" de energia (ou "combustível") que deve ser constantemente recomposta. Normalmente, nas lutas, ainda mais pela cultura das divisões de categorias por peso, muitos atletas (principalmente de categorias pesadas) pensam que comem "um monte" de carboidratos, mas, na realidade, estão comendo abaixo de suas necessidades. Por exemplo, comer apenas uma refeição rica em carboidratos, como macarrão, antes da competição não significa necessariamente que está ingerindo carboidrato suficiente para atender suas necessidades. Afinal, num contexto mais amplo deverá refletir sobre sua carga de treinamento diário. Lembrando que o termo "carga" representa a combinação de intensidade (exigência do esforço), duração (tempo de estímulo) e frequência (número de sessões em dado período de tempo).


Contextualizando, a ingestão de 3-5 gramas de carboidratos por quilo de "peso" corporal é suficiente para os atletas que estão em fase de cargas mais baixas de treino, 5-7 gramas por quilo para atletas engajados em cargas moderadas-medianas e até 7-10 gramas por quilo no caso de atletas utilizando cargas grandes ou significativas. Ressaltando que essas quantidades são apenas referenciais gerais, pois esses cálculos são influenciados por outros fatores (Ex: massa corporal; faixa etária; sexo masculino ou feminino, etc.).

Baixa ingestão de carboidratos em longo prazo associada ao treinamento regular pode resultar no esgotamento progressivo das reservas de glicogênio e conduzir a um estado indesejável de fadiga crônica. Além disso, também são observados efeitos decorrentes de fadiga aguda com o aumento da carga de treino ou mesmo da intensidade do exercício, pois ambos podem requisitar em demasia os estoques de glicogênio, além do fato de o exercício de alta intensidade poder resultar em perda/diminuição de apetite. Baixos estoques de glicogênio muscular podem conduzir à diminuição de energia para treinar, especialmente em altas intensidades. O atleta muitas vezes será incapaz de completar o treino planejado.

A maioria dos atletas armazena glicogênio suficiente para 90-120 minutos de exercício, porém, comendo pouquíssimo carboidrato (como em dietas para perder "peso") pode reduzir significativamente esse período. Um lutador com reservas baixas de glicogênio muitas vezes necessita de uma redução na intensidade do treino, descanso absoluto por vários dias, além de aumento no consumo de carboidratos para restituir as reservas depletadas.

Outra coisa: muitos atletas relatam que, em dieta de baixo consumo de carboidratos, sentem-se muito fadigados e percebem nítida redução de massa muscular. Esses relatos podem ser relacionados, dentre outros fatores a: 1) Seus hábitos alimentares anteriores eram ainda piores (consumo excessivo de alimentos pouco nutritivos e/ou hipercalóricos) do que os atuais; 2) Redução de aspectos psicológicos favoráveis para as lutas. Como os carboidratos também são necessários para nutrição cerebral, as dietas pobres em carboidratos podem resultar em falta de concentração, depressão e alterações de humor.

A hora certa para consumir carboidratos

O tempo ideal para o consumo de carboidratos é muito importante para a recuperação muscular, principalmente quando ocorre a realização de mais de uma sessão de treinamento no mesmo dia. Depois da realização de exercícios de grande intensidade, os músculos não iniciam a reposição de glicogênio em alta velocidade até que algum carboidrato seja ingerido. Desse modo, a recuperação praticamente só começa após comer um lanche ou outra refeição rica em carboidratos. De 1-1,3 gramas de carboidrato por quilo de "peso" corporal na primeira hora após o término do exercício é necessário para a recuperação dessas reservas. Na realidade, pode ser considerado o "pontapé" inicial para adequada reposição. Essa informação se torna mais relevante quando há apenas de 4 a 8 horas de intervalo entre as sessões realizadas no mesmo dia.

Baixo consumo de nutrientes

Lutadores com grande massa corporal, altas cargas de treinamento ou tentando aumentar a massa muscular podem ter dificuldades para se alimentar suficientemente. A fome nem sempre é um guia ideal e preciso, pois como o exercício em alta intensidade pode diminuir o apetite, a redução na ingestão de nutrientes associada pode conduzir à fadiga.

Por outro lado, alguns atletas optam por restringir calorias, com intuito de manter "peso" corporal baixo. Nesses casos, as dietas hipocalóricas podem eventualmente conduzir à sensação constante de fadiga em função de o corpo ter de sobreviver com poucas calorias, vitaminas e minerais. O lutador pode apresentar sintomas clínicos, tais como: diminuição da imunidade, diminuição da força em razão da perda de massa muscular magra, dificuldade de manutenção do "peso" ósseo e recuperação deficiente entre as sessões de treinamento. Se estiverem engajados em dieta com pouca ingestão de calorias, ao menos tem de se preocupar em selecionar os alimentos mais nutritivos (ricos em vitaminas e minerais) e com boa capacidade de saciedade.

Fadiga e deficiência de ferro

Atletas do sexo feminino são propensas a deficiência de ferro em função da menstruação. Entretanto, lutadores de ambos os sexos estão sujeitos a lesões constantemente pelo fato de ocorrer contato corporal excessivo, podendo haver hemorragia. Medicamentos como antiinflamatórios podem causar sangramento gastrintestinal, o que também aumenta a perda de ferro. Alguns atletas mantém baixa ingestão de ferro, em particular mulheres e vegetarianos. As necessidades de ferro aumentam de 1,3 a 1,7 vezes para atletas comparados a não atletas. Dentre os principais sintomas de deficiência de ferro relacionados a fadiga estão: sensação de falta de ar, a ponto de o atleta não conseguir persistir no exercício, aumento no tempo de recuperação, diminuição da imunidade, calafrios e depressão.

Vale salientar que muitas vezes é difícil avaliar se os estoques de ferro estão baixos se baseando apenas nos resultados de testes sanguíneos. O acompanhamento de qualquer mudança nos testes, considerando algum sintoma e/ou fator de risco fornecerá melhor diagnóstico se a insuficiência de ferro é a causa da fadiga. Se confirmado, o profissional responsável pelo preparo alimentar do atleta pode alterar o cardápio para otimizar o consumo de ferro.

Papel de suplementos vitamínicos e minerais na redução da fadiga

Existe uma crença amplamente difundida de que nosso suprimento de alimentos é deficiente na maioria dos nutrientes. Entretanto, diversos estudos apontam que essas informações são infundadas. De modo geral, a fadiga relacionada à nutrição é causada por um desequilíbrio no consumo de carboidrato, proteína e gordura. Contudo, se a deficiência de uma vitamina ou mineral estiver presente, será necessário utilizar suplemento específico para corrigir essa situação. Um suplemento multivitamínico e mineral de largo espectro também pode complementar a alimentação dos lutadores que estão viajando e não podem/conseguem ingerir refeições convencionais, ou tem de limitar sua ingestão de alimentos para reduzir o "peso".

Recomendações básicas para minimizar/suprimir a fadiga causada por desequilíbrios nutricionais

1) Incluir no cardápio cereais integrais, frutas frescas, verduras, fontes de proteína magra, laticínios e gorduras saudáveis;

2) Evite dietas da moda e as que eliminam os carboidratos ou grupos alimentares inteiros (por exemplo, as que não permitem produtos lácteos);

3) Se organize para comer imediatamente ou até no máximo 30 minutos após os treinos. Sanduíches com pães integrais (light ou diet), iogurte, frutas e barras de cereais são algumas das melhores escolhas alimentares;

4) Se você é vegetariano, não pode esquecer de incluir os substitutos da carne, tais como: nozes, soja, legumes, etc;

5) Não fique obcecado em evitar qualquer coisa que contenha gordura, ou limitar seu consumo total de gordura para menos de 20 gramas por dia;

6) Verifique se você está bem hidratado. Observe sua taxa de sudorese (se pese antes e após o treino para comparar e verificar a perda de "peso") e tente chegar a um plano individualizado de hidratação. Em artigo anterior neste Blog são observadas algumas recomendações;

7) As viagens para competir "fora de casa" podem desgastá-lo se não conseguir dimensionar bem os preparativos para o trâmite. Além disso, no local de destino pode ser difícil encontrar alguns dos alimentos utilizados no dia a dia. Tente planejar antecipadamente para não faltar alguns de seus alimentos favoritos, em especial, os mais nutritivos e de fácil transporte, tais como: cereais, bebidas esportivas, suplemento alimentar líquido, frutas secas, nozes, barras de cereais e barras de proteína/carboidrato.

Leandro Paiva

Referências:

1) Kordi, R.; Maffulli, N.; Wroble, R.; Wallace, W. (Editors). Combat Sports Medicine. Springer: London, 2009;

2) Paiva, L. Pronto Pra Guerra: Preparação Física Específica para Luta e Superação. Amazonas: OMP Editora, 2009.
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Arma Humana - Karatê

Lyoto Machida x Tito Ortiz.


Segue neste artigo material audiovisual inédito com registros históricos e geográficos do Karatê. Documentário interessante, distribuído pelo History Channel. Nele, além das características anteriores, são demonstradas por meio de animação 3D aspectos anatômicos e biomecânicos dos golpes, como força e velocidade em que atinge o oponente. Independentemente de qual modalidade se pratica é conteúdo enriquecedor, pois amplia nossa visão sobre os golpes, especialmente se adaptarmos ao MMA.


Leandro Paiva














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Qual é a melhor hora do dia para treinar?


Como citado desde o início, este blog surgiu da necessidade de difundir a Ciência das Artes Marciais e, além disso, ser portal gratuito e democrático. Assim, encontramos um artigo bem interessante escrito pelo Prof. de Educação Física, faixa preta de Judô e atleta da seleção brasileira de Luta Olímpica, Rodrigo Artilheiro. Nele, Rodrigo aborda qual é a melhor hora do dia para treinar. Adiante segue o artigo e logo após vídeo-aula dele, no qual ensina técnicas de Luta Olímpica para o MMA.



Leandro Paiva



O treinamento em diversos momentos do dia
Autor: Rodrigo Artilheiro


Muitas vezes o lutador se questiona: o que devo treinar na parte da manhã? E na parte da tarde? E à noite? A antiga União Soviética há muitos anos tem essa resposta.

Segundo Platonov, durante a primeira metade do dia, ou seja, de 10 às 12 horas, os novos elementos técnicos e táticos podem ser estudados com mais êxitos, porque nesse momento se observa o nível máximo das capacidades cognitivas do desportista. Nesse mesmo instante é detectado o ponto máximo do estado de ânimo, da disposição e das capacidades mentais. O auge dos índices psicológicos está relacionado com o nível máximo de cortisol e catecolaminas, que podem ser observados na primeira metade do dia.

Agora, se o seu objetivo é desenvolver força potente, coordenação e mobilidade articular, realizar o treino entre 16 e 18 horas será mais satisfatório, pois é precisamente nesse intervalo que é percebido o nível mais alto dessas capacidades motoras.

A tarefa que tem como objetivo desenvolver a resistência aeróbia será mais útil se planejada no final da tarde, das 16 às 19 horas. Nesse espaço de tempo é atingida a magnitude máxima de consumo de oxigênio, ventilação pulmonar, volume sistólico, débito cardíaco, etc... Ou seja seu coração funciona melhor nesse período do dia. Além disso, os desportistas durante esse período do dia superam com mais facilidade a sensação de fadiga e os processos de recuperação transcorrem com mais intensidade. Então, lutadores, não se esqueçam. Se forem dar aquela corridinha regenerativa e longa, entre 16 e 19 horas, seu corpo vai agradecer!

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Superação nas lutas: Antônio Tenório da Silva



Segue material contendo informações sobre o tetracampeão olímpico de Judô, Antônio Tenório da Silva. Excelente história de superação que serve de reflexão para atletas, técnicos, profissionais relacionados e fãs de lutas, artes marciais e modalidades esportivas de combate.

Leandro Paiva




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Preparação física no Jiu-Jitsu e MMA com elásticos

Entrada de queda com elástico (nesse caso, o trabalho era de Resistência Muscular).

Em outro artigo neste Blog, havia abordado sobre particularidades dos exercícios de preparação física para luta utilizando elásticos. Sucintamente, de modo geral (com poucas exceções), existem duas observações básicas quanto aos exercícios: 1) Quanto menor o número de filamentos de elástico, o treinamento é direcionado para potência, potência-resistência e resistência muscular; 2) Quanto maior o número de filamentos, o treinamento é direcionado para força máxima e hipertrofia.

Vale ressaltar que no mercado são disponibilizados diversos tipos de elásticos com grande variabilidade quanto à tensão, ou seja, dependendo dos diâmetros externos e internos, e da espessura da parede, são encontrados elásticos que suportam de 2,5 até 14 kg em sua extensão máxima (350%). Nossas considerações quanto aos números de filamentos abrange os de espessura de 3,0 mm, mais indicados para lutadores, pois além de boa extensibilidade suportam cargas máximas de até 13 kg.

Extensor básico com 1 filamento de elástico


Cinto de Tração (membros inferiores) com 2 filamentos de elástico


Cinto de Tração (cintura) com 4 filamentos de elástico


Neste artigo, vou me aprofundar ainda mais, informando como os exercícios utilizando elástico podem ser divididos de acordo com o objetivo:

1) Força Máxima - são caracterizados pela utilização de maior número de filamentos de elástico (mais do que 3), de 2-3 séries por exercício, de 1-4 repetições e intervalo entre as séries de 3-5 minutos. Com auxílio de companheiro, pode ser utilizado mais de 5 filamentos de elástico, gerando tensão bem maior, mas denotando número baixo de repetições (no máximo duas). Esse método pode e deve ser realizado com exercícios específicos; no entanto, são mais utilizados com exercícios similares aos utilizados na musculação como rosca bíceps (flexão de cotovelo), elevação lateral c/ halteres (abdução vertical dos deltóides), etc. Esses exercícios também podem ser realizados com o método de força máxima denominado de isométrico (sem "movimentação" ou "estático"). Nesse caso, devem ser realizadas de 3-5 séries para cada exercício, com contrações de 3-12 segundos e intervalo de 60-90 segundos entre as contrações;

2) Hipertrofia - são caracterizados pela utilização de 2-4 filamentos de elástico, de 3-4 séries por exercício, de 10-12 repetições e intervalo entre as séries de 1-2 minutos. Sugerimos a realização somente de exercícios que apresentam similitude com os realizados na musculação, como citado anteriormente no objetivo de Força Máxima;

Observação: os métodos de Força Máxima e Hipertrofia, de modo geral, são caracterizados pelo ritmo de execução mais lento dos exercícios. Contudo, nas lutas, independentemente da carga, os atletas devem ser estimulados para tentar realizar em ritmo mais rápido. Assim, as contrações serão "similares" às realizadas nessas modalidades, apresentando boa especificidade nesse contexto.

Rosca bíceps (flexão de cotovelo) utilizando extensor com 3 filamentos de elástico (Hipertrofia)


3) Potência
- os exercícios mais recomendados com objetivo de potência são:

A) Balísticos: caracterizados pela reprodução de exercícios competitivos utilizando elásticos. Recomenda-se utilizar no mínimo 1 filamento (lutadores de categorias mais leves) até 4 filamentos no máximo (lutadores mais pesados). O número de séries varia de 3-5, de 8-10 repetições (dependendo do exercício até 20 repetições) e o intervalo para descanso entre as séries é de 2-3 minutos;

B) Pliométricos: caracterizados pela realização de saltos. Recomenda-se utilizar no máximo 2 filamentos de elástico. Vale lembrar que lutadores mais leves podem realizar exercícios de saltos de 2-3 vezes por semana, mas atletas de categorias pesadas no máximo 1 vez por semana em função de maior sobrecarga às articulações. O número de séries varia de 3-25, de 5-20 repetições e intervalo para descanso entre as séries de 2-5 minutos.

4) Potência-Resistência - nas lutas, são caracterizados pelos mesmos exercícios balísticos já citados no método de Potência. A principal diferença é que recomendamos no máximo 2 filamentos de elástico, de 2-4 séries, número bem maior de repetições (de 15-30) e intervalo para descanso entre as séries de 5-7 minutos;

Observação: Nos métodos de Potência e Potência-Resistência, os exercicios devem ser realizados velozmente, com intuito de recrutar o maior número possível de fibras musculares na maior taxa de contração. Desse modo, será priorizado o elemento principal no treinamento de potência: a velocidade de execução do exercício.

Passagem de guarda com cinto de tração e 3 filamentos de elástico (Potência - Exercício Balístico)


Saltos pliométricos com 2 filamentos de elástico (Potência - Exercício Pliométrico)

Raspagem com cinto de tração (membros inferiores) com 2 filamentos de elástico (Potência-Resistência)

5) Resistência Muscular - os exercícios com esse objetivo podem ser os similares aos de musculação ou mesmo os específicos das lutas. Esse método também é denominado de Treinamento em Circuito (TC). Recomendamos apenas um filamento de elástico. O número de séries pode variar de 2-4 e devem ser realizadas no minímo 15 repetições (máximo de 50-60). O intervalo de passagem de um exercício para outro não deve ultrapassar 25 segundos e o intervalo para descanso entre as séries é de 2-5 minutos.


Leandro Paiva



Referência:

Paiva, L. Pronto Pra Guerra: Preparação Física Específica para Luta e Superação. Amazonas: OMP Editora, 2009.

Informações Complementares

1) Vídeo-exemplo de treinamento de Potência (balístico) com elásticos, alternando puxadas com entradas de queda:



2) Desenvolvi acessórios com elásticos e customizei sob encomenda para os atletas Ricardo Arona e Ronaldo Jacaré. Rogério Camões, atual preparador físico de Rafael Feijão, Anderson Silva, Jacaré, André Galvão, dentre outros atletas campeões internacionais de MMA e Jiu-Jitsu, fixou esses acessórios na academia X-GYM, no Recreio dos Bandeirantes - RJ e os utiliza diariamente com esses atletas. O registro está contido após 5 minutos e 8 segundos do vídeo adiante:

3) Diversos acessórios podem ser visualizados, caso haja interesse, clicando aqui. Entretanto, apesar da exposição, são comercializados sob encomenda direta à OMP Editora pelo e-mail: prontopraguerra@prontopraguerra.com.br ou acessorios@prontopraguerra.com.br

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Talento ou Dedicação nas Lutas e Artes Marciais?



Muitas vezes observamos lutadores surpreendentes, considerados muito talentosos ou mesmo superdotados. Característica básica: aprendem facilmente as técnicas e conseguem executá-las eficazmente. Existem alguns atletas neste olímpo, muito raros que, mesmo sem se dedicar como os demais, executam as técnicas com perfeição.

Contudo, na maioria das vezes, até os mais talentosos somente atingem Maestria Desportiva (excelência técnico-tática e bons resultados em competições) depois de muita prática. Como assim muita prática? Cientistas do Treinamento Desportivo apontam que, no Boxe, por exemplo, acima de 3.500 horas de prática ou 2.000 sessões de treino (nivel internacional). Em outras modalidades presentes nos Jogos Olímpicos como o Taekwondo, Judô e Luta Olímpica esse número sobe para mais de 4.000 horas de prática ou 2.800 sessões de treino.

Além da melhoria técnico-tática, a dedicação pode superar (ou igualar) o talento natural em outro quesito: psicológico. Quanto mais treinado e preparado, o atleta atinge um estado denominado de "acomodação psicológica". Nesse estado, em função de confiar nos árduos treinamentos que realizou (quando bem planejados), o lutador se encontra (e se acha) em estado psicológico adequado para enfrentar todas as exigências físicas e psicológicas naturais dos esportes de combate.

Randy Borum, psicólogo de atletas de Boxe e MMA nos Estados Unidos, é ainda mais "caxias" nesse quesito. Em artigo publicado em 2009, baseado em estudos realizados por colegas, afirmou categoricamente: para se atingir excelência técnica máxima em qualquer coisa - de jogar xadrez, tocar violino, realizar cirurgias a lutar -, o ideal é dedicar-se em média 20 horas por semana durante dez anos, para atingir um total de 10.000 horas de prática. Ele reforçou seu ponto de vista com a publicação recente de um livro nos Estados Unidos, no qual o autor se baseou em diversos estudos e acredita que mais importante do que ter talento é se dedicar a aprender e realizar eficientemente a tarefa. O título original do livro é "Talent is Overread" (em Português: "Talento é superestimado"), do autor Geoff Colvin.

Vale uma ressalva: antes de você decidir acampar em sua academia só para acumular essas horas mais rapidamente, deve ter a consciência de que a mente leva um tempo para reter a técnica e mantê-la. Em outro artigo neste blog já abordamos o tema.

O ideal é que a prática seja deliberada, ou seja, aquela em que mesmo o atleta tendo participado das aulas em grupo continue a se aprimorar em outros horários, mas sem se exceder. Além disso, o treino tem foco específico e inteligente. Exemplo prático no MMA: em vez de o atleta trabalhar chutes aleatórios no saco pesado por vinte minutos, focar o trabalho para melhorar um chute lateral no qual é deficiente, pelos mesmos vinte minutos, marcando mentalmente um ponto no saco para acertar, melhorando sua coordenação e mantendo postura corporal adequada. Fará o mesmo trabalho duro comparado à primeira opção (chutes aleatórios), só que, além do tempo e esforço, exigirá foco.

Um fator importante a ser considerado nesse processo todo é: será que todos devem buscar as tais 10.000 horas? Na minha opinião, não. Se você é um competidor ou simplesmente decide buscar excelência técnico-tática nas lutas, existem algumas dicas que ajudarão a ter sucesso em período mais curto. São elas:

1) Verifique consigo as hipóteses sobre como o sucesso ocorre - no seu caso - em situação de sparring ou em competições. Isso ajuda a ter auto-consciência quando você percebe que o que faz nos treinos, muitas vezes é mais importante do que o que tem naturalmente ("talento"). Lutadores e indivíduos, de modo geral, que dão prioridade ao talento tendem a ter atitude fixa. Eles acreditam que seu sucesso vem de uma característica fixa inata que não pode ser adquirida ou melhorada. Acredito que o ideal é ter a mentalidade de que o talento natural é apenas um ponto de partida e não um ponto final e, assim, a capacidade pode ser melhorada por intermédio de compromisso e trabalho duro;

2) O atleta deve buscar informações sobre sua evolução (feedback) e utilizá-las. Pedir essas informações para instrutores, treinadores e parceiros de treino responsáveis. Não basta perguntar: "O que eu fiz de errado?", tem de questionar: "Quais são as outras maneiras de fazer corretamente?". Uma das melhores ferramentas é a visualização de vídeos de suas lutas e, até mesmo, dos adversários. Até atletas que já estão no nível de elite aprendem coisas novas e valiosas sobre o seu jogo, quando se observam. Melhor ainda se contar com a observação de outros da equipe sobre os movimentos realizados e filmados. Poderá formular uma lista do que precisa ser desenvolvido ou aprimorado como postura, velocidade, força, etc. O ideal é assistir diversas vezes e, para facilitar, atribuir nota de 0 a 10 para cada valência física e/ou técnica específica, relacionando ao seu desempenho. Se ver algo que precisa corrigir, tente por um momento fixar a imagem em sua mente de como ficaria se fizesse de modo correto. Escolha algo para trabalhar em uma próxima vez, e compare utilizando as filmagens para ver se está mais perto de atingir aonde você quer estar;

3) Tente ser sistemático. Para tornar o trabalho mais deliberado, você não pode apenas ter um plano para colocar em um determinado número de horas. Deve definir e monitorar metas específicas para cada sessão de exercícios e prática. Objetivos ajudarão na motivação, foco, e orientarão a capacidade de aprender e melhorar. Ao estabelecer metas, pense em como determinada prática se encaixa dentro do seu maior objetivo em longo prazo como ganhar o cinturão do UFC ou ser campeão mundial de Jiu-Jitsu, por exemplo. Pergunte a si mesmo: "como posso organizar minhas metas de curto prazo para me aproximar do que eu finalmente desejo alcançar?" Faça um plano e siga adiante;

4) Persistência. A prática deliberada - quando feita corretamente - exige muito esforço e muitas vezes não é divertida. Por si, provavelmente, não fornecerá muita satisfação e motivação. É aí que entram as metas e o feedback dos outros. Você pode ter ao menos um pouco de satisfação de ter alcançado seu objetivo para essa sessão ou ver sua melhoria ao analisar as filmagens iniciais. Aprender a persistir, mesmo quando não é divertido, é um dos benefícios da prática deliberada.

Leandro Paiva

Referências:

1) Borum, R. Hard Work Pays Off! Black Belt Magazine, 2009;
2) Paiva, L. Pronto Pra Guerra: Preparação Física Específica para Luta e Superação. Amazonas: OMP Editora, 2009.
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