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Se perdesse uma luta, o que faria diferente?


Em nossa última enquete realizamos a seguinte pergunta aos internautas: Se perdesse uma luta, o que faria diferente na próxima vez? Seguem os resultados de acordo com a opinião dos leitores:

A) Estudaria o adversário – 36%
B) Mudaria o treino técnico – 33%
C) Daria ênfase à preparação psicológica – 33%
D) Daria ênfase à preparação física – 23%
E) Daria ênfase à preparação alimentar - 10%
F) Utilizaria esteróides anabólicos - 10%
G) Mudaria o treinador – 3%

Aproveitando, convido a todos para participar da próxima enquete (coluna do lado esquerdo do Blog), respondendo a seguinte pergunta: Qual situação julga causar mais ansiedade antes da luta?


Leandro Paiva
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Supercâmera: Boxe



Excelente material audiovisual para estudo de técnicas de percussão (traumáticas) no Boxe e MMA. Sugiro observar com atenção todos os detalhes para melhor aproveitamento. Além disso, o material é válido para identificar com maior relevância os músculos mais solicitados nessas técnicas facilitando o respaldo e direção do trabalho de preparação física.

Leandro Paiva


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Jiu-Jitsu: Testando a Força de Pegada

Omar Salum - Figura 1.


Omar Salum - Figura 2.



Apesar de ser correto afirmar que os resultados de uma luta não são explicados somente pela força ou resistência de "pegada" (preensão manual no quimono do adversário), sabemos que o domínio do adversário por meio dela é fundamental. De modo geral, nos testes realizados para verificar a força máxima e a resistência de força em preensões manuais de lutadores, é utilizado um aparelho denominado de dinamômetro manual (veja imagem abaixo).


Dinamômetro Manual


No entanto, atualmente, procurando facilitar a aplicação de testes com boa reprodutibilidade, diversos estudiosos tem proposto testes alternativos utilizando-se o quimono (ou Judogi). Em estudos prévios realizados com lutadores, observou-se que podem ser utilizados para avaliar parâmetros de força isométrica, dinâmica e força de resistência da pegada dos atletas decorrente de treinamento técnico-tático e/ou de preparação física.


Desse modo, facilmente será possível verificar se houve decréscimo ou elevação dos parâmetros avaliados após semanas (mesociclos) ou meses de treinamento (macrociclos). Assim, baseado nos resultados, o técnico e/ou preparador físico poderá modificar a tempo (caso haja diminuição nos parâmetros desejáveis) os exercícios, metodologias e planejamento, para continuar desenvolvendo e melhorando a "pegada" dos atletas.


Teste de Resistência de Força Isométrica e Dinâmica na Barra para Atletas de Jiu-Jítsu, utilizando Quimono (ou Judogi)


Materiais necessários: barra, quimono (wagi - paletó ou parte superior do uniforme) e cronômetro

1) Teste de suspenção na barra com quimono (figura 2) - cronometrar o tempo que o atleta permanece nesta posição. Realizar o teste 3 vezes, com intervalo de 15 minutos entre cada suspenção. Somar o resultado dos 3 testes e dividir por 3 para constatar o valor médio final nesse teste;

2) Teste de repetições na barra com quimono (figuras 1 e 2) - contabilizar o número máximo de repetições. Realizar o teste 2 vezes, com intervalo de 24 horas entre cada teste. Não realizar nenhum exercício antes de proceder o teste. Somar o resultado dos 2 testes e dividir por 2 para constatar o valor médio final nesse teste.

Salientamos que, em estudo realizando testes parecidos com atletas de Judô, verificou-se no primeiro teste, média de 37 segundos e, no segundo, média de 7 repetições. Os atletas tinham 19,8 anos; 10,7 anos de prática e massa corporal de 79,8kg (valores médios).


Leandro Paiva


Referência: Franchini, E. et al. Teste de resistência de força isométrica e dinâmica na barra com o judogi. In: III Congreso de la Asociación Española de Ciencias del Deporte, 2004, Valencia.


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Consequências do Nocaute




Como telespectador e fã de Boxe e MMA, além das finalizações (MMA), não há nada mais empolgante do que assistir ao fim do tempo regulamentar do combate por nocaute. Apesar de ser algo quase hipnótico e querer visualizar em minúcias o desfalecimento momentâneo do outro lutador, um trauma na cabeça mais grave ou a sucessão deles em níveis variados podem trazer consequências devastadoras ao atleta.

Muhammad Ali, um dos melhores boxeadores de todos os tempos, aos 42 anos de idade, daria inicio a uma série de sintomas que o acompanham até os dias de hoje: tremores, lentidão de movimentos, fala arrastada e inexplicável fadiga. O Neurologista Stanley Fahn, examinou-o na Universidade de Columbia, referência mundial em diagnóstico e tratamento da doença de parkinson, e diagnosticou seu "parkinsonismo".

Em seguida, a imprensa e os fãs começaram a questionar se foi o Boxe o principal causador da doença. Não havia nenhuma forma de afirmar, categoricamente, que foi o Boxe a principal causa. O fato é que, pelas informações científicas na época, o que poderia ser afirmado é que ele desenvolveria a doença, mesmo se fosse um bailarino, contador ou profissional de qualquer outra área.

Entretanto, modalidades como o Boxe, na qual a probabilidade de lesões no cérebro são maiores comparados ao MMA, por exemplo, sempre existe o risco de traumas na cabeça e lesões no cérebro, do mesmo modo que existe grande possibilidade de L.E.R (Lesão por Esforço Repetitivo) em indivíduos que passam boa parte do tempo digitando no trabalho, sem condições ergonômicas adequadas de teclado e/ou cadeira.

Em 1928, o patologista Harrison Martland, descrevia uma síndrome, na qual percebia que boa parte dos atletas pareciam bêbados fora dos ringues. Estimou que metade de todos os pugilistas veteranos profissionais tinha a doença. Dentre eles, lutadores lendários como Joe Louis, que desenvolveu sintomas de demência e Sugar Ray Robinson, que morreu com a doença de Alzheimer.

Atualmente, os especialistas utilizam outros termos para denominar a síndrome de "bêbado": traumatismo crônico crânio-encefálico, encefalopatia crônica traumática, encefalopatia do pugilista e "demência pugilistica", termo médico recente utilizado para descrever os casos mais graves. Além desse, a literatura agora também tem uma nova denominação: "parkinsonismo pugilistico". Já é consenso que vítimas em função de lesões no cérebro são mais propensas a desenvolver doença de Alzheimer do que Parkinson.

Por outro lado, parece existir um vínculo genético entre a doença de Alzheimer e lesões traumáticas. Uma variação genética comum conhecida como ApoE4, tem sido associada a um aumento na gravidade da lesão cerebral de lutadores com mais de 12 lutas profissionais registradas. Em estudo prévio, foi sugerido que alguns indivíduos podem ser geneticamente mais predispostos a sofrer dano neurológico em razão de golpes na cabeça.

Os sintomas de doenças neurológicas em lutadores podem ser observados sob 3 aspectos:

• Motor -
Fala um pouco arrastada, é um dos primeiros sinais de danos cerebrais. Outras deficiências comuns são: falta de coordenação, movimentos lentos, voz enfraquecida, rigidez, problemas de equilíbrio e tremores;

• Cognitivo - Com aplicação de alguns testes, é verificado facilmente que os atletas apresentam baixa concentração, déficits de memória e diminuição da velocidade mental (raciocínio). Além disso, com o agravamento, o lutador pode apresentar amnésia profunda, déficits de atenção e
lentidão de pensamento;

• Comportamental -
Os sinais mais comuns incluem irritabilidade, falta de discernimento, paranóia e explosões de violência e fúria, muitas vezes, "inexplicáveis".

Já em 1969 um estudo realizado por pesquisadores britânicos descobriu que um em cada seis pugilistas profissionais aposentados sofria de graves danos cerebrais. Os sintomas começaram a aparecer, em média, 16 anos depois do fim da carreira. Os que lutaram mais (além dos 28 anos), estatisticamente, foram considerados de maior risco, assim como os que tinham derrotas no cartel, especialmente por nocaute. Sugeriu-se que a cada trauma mais contundente e/ou nocaute, ocorra perturbação na fisiologia normal do indivíduo, com danos irreparáveis às
células nervosas.

Outra teoria sustenta que os golpes na cabeça causem distúrbios substanciais à química do cérebro, conduzindo a resposta imune com danos ao sistema nervoso central.

O MMA e o Boxe são esportes em que "ferir" um oponente é um objetivo explícito: atingindo e danificando o cérebro, por nocaute (MMA ou Boxe), ou lesionando articulações e ligamentos (no caso das finalizações "articulares" realizadas no MMA). Esse fato inequívoco conduziu uma reviravolta e mobilização de diversas associações médicas, solicitando a abolição do Boxe e, posteriormente, do MMA (principalmente nos Estados Unidos).

Hoje, por meio das comissões atléticas que sancionam os dois esportes nos EUA, foram decretadas regras de saúde rigorosas, objetivando manter a integridade dos atletas. Dentre as principais, estão: realização de ressonância magnética (anual e, porventura, antes de algum combate caso seja solicitado); proibição de participação por período determinado em um próximo combate para aqueles que perderam seis vezes consecutivas (independentemente do modo como perdeu) ou em três lutas consecutivas (se a perda foi por nocaute ou nocaute técnico).

Concluímos este artigo salientando que essas medidas foram muito importantes para minimizar os problemas associados a golpes na cabeça e possíveis implicações diretas à saúde dos atletas. Todavia, não resolve em definitivo o principal desafio, que é quando a lesão se torna crônica, já instaurada. A preocupação da comunidade científica agora é de encontrar marcadores pré-clínicos, para tentar identificar sinais de lesão antes de o lutador apresentar sintomas permanentes. Assim, poderia até ser recomendado previamente que interrompa a carreira antes de um acontecimento trágico, como a morte, por exemplo.


Leandro Paiva


Referências:

1) Clancy, F. The Bitter:Head blows from boxing can cause dementia and Alzheimer’s. Can the same chronic brain injury also lead to Parkinson’s? Neurology Now, p.24-25, 2006;

2) Paiva, L. Pronto Pra Guerra: Preparação Física Específica para Luta e Superação. Amazonas: OMP Editora, 2009.


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Alerj aprova lei que transforma Jiu-Jitsu em patrimônio imaterial do Estado





A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou quinta-feira passada, em segunda discussão, o projeto de lei 2.941/10, que declara o Jiu Jitsu patrimônio imaterial do estado. A proposta é do deputado Édino Fonseca (PR), que defende esta como uma forma de garantir que a arte marcial seja preservada. O projeto será enviado ao governador Sérgio Cabral (PMDB), que terá 15 dias para sancionar ou vetar a proposta. Estou na torcida para ser logo sancionada a proposta em caráter estadual e, posteriormente, nacional.

Leandro Paiva
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Lutadores: algumas considerações sobre redução de massa corporal


Se aproximando de mais um evento de MMA de nível internacional, ou seja, o UFC 114, retornará - como sempre - a discussão sobre a temática "perda de peso" rápida, prática comum realizada por muitos atletas de MMA e também de outras lutas. Desse modo, seguem trechos de um excelente artigo prévio sobre "perda de peso" antes das competições nas modalidades esportivas de combate. Considerações para refletir sobre essas práticas, registrar e, até mesmo, relembrar.

Leandro Paiva




Considerações sobre a redução da massa corporal antes das competições nas modalidades desportivas de luta

Autor: Bernardo Neme Ide

Resumo

As competições nas modalidades desportivas de lutas são divididas em categorias de acordo com o sexo, idade, massa corporal e no caso especial do Jiu-jitsu desportivo, a graduação do lutador também. Tal característica dessas modalidades, muitas vezes induz os atletas a procurar se encaixarem em uma determinada categoria, manipulando suas composições corporais, com a finalidade de imporem um superior nível de capacidades motoras e de massa corporal, para que assim conseqüentemente, aumentem também suas chances de vitória.

Os atletas decidem, muitas vezes por si próprios, qual seria a melhor alternativa para alcançar tal propósito. Na grande maioria dos casos a estratégia adotada é a de redução da massa corporal fazendo com que o lutador dispute na categoria inferior a que se encontra. O objetivo do trabalho foi analisar como a estratégia de redução da massa corporal pode afetar o desempenho dos atletas das modalidades desportivas de lutas. Estudamos as vantagens, desvantagens, indicações e contra indicações provenientes dessa estratégia competitiva adotada nessas modalidades.

Introdução

As competições nas modalidades desportivas de lutas são divididas em categorias de acordo com o sexo, idade, massa corporal e no caso especial do Jiu-jitsu desportivo, a graduação do lutador também. Tal particularidade dessas modalidades faz com que numa competição possa haver vários campeões, sendo respectivamente um para cada categoria em disputa.

Tal característica dessas modalidades muitas vezes induz os atletas a procurar se encaixarem em uma determinada categoria, manipulando suas composições corporais, com a finalidade de aumentarem suas capacidades motoras e especificidade morfológica, para que assim conseqüentemente, aumentem também suas chances de vitória. Para tal propósito, os atletas passam então a enfatizar em muito os aspectos da preparação física sobre a técnico-tática.

Agindo dessa forma e de acordo com suas composições corporais e características técnicas e táticas de luta, os atletas decidem, muitas vezes por si próprios, qual seria a melhor alternativa para aumentar suas chances de obter melhores resultados em determinadas condições competitivas.

Geralmente, atletas adultos optam pela mudança de categoria quando se encontram basicamente em duas situações: a) Atletas com massa corporal quase no limite inferior da categoria. b) Atletas com massa corporal quase no limite superior da categoria, com tendências a ganho da mesma e dificuldades com a manutenção e/ou perda.

Diante dessas situações, os atletas possuem as seguintes opções para efetuarem a mudança de categoria, de maneira a assegurarem e aumentarem suas performances competitivas:

1. Incremento da força relativa e absoluta através do aumento da massa muscular, associada com a diminuição ou manutenção do percentual de gordura:

Essa opção permite que o atleta possa escolher em manter-se na determinada categoria em que se encontra, ou então mudar para uma de limite de massa superior. Tal escolha dependerá em muito da sua composição corporal, da metodologia de treinamento adotada, e de um certo período de tempo para que ocorra de forma segura e previamente planejada.

Caso o atleta escolha mudar para a categoria superior, com o incremento da massa corporal, a porcentagem de gordura precisa permanecer constante ou mesmo decair, para que assim possa assegurar que o ganho foi primariamente proveniente de massa muscular.

O incremento da força relativa pode ser acompanhado por diferentes modificações na massa corporal. Às vezes ele é acompanhado por uma estabilização ou mesmo uma perda da mesma. (ZATSIORSKY, 1999). VERKHOSHANSKY (2000), afirma que esse aperfeiçoamento morfofuncional do organismo leva a uma especialização maior para a modalidade. Essa especialização morfofuncional do organismo manifesta-se como uma particularidade do aparelho neuro-muscular, que é caracterizada pela hipertrofia muscular, pelo aperfeiçoamento da regulação intra e intermuscular e pela atividade e intensificação dos processos metabólicos. ZATSIORSKY (1999), afirma ainda que os atletas não devem ser cautelosos em relação ao crescimento muscular, pois os músculos carregam a carga principal em seus movimentos esportivos.

2. Redução da massa corporal (perda de peso)

Essa opção permite apenas que o atleta possa mudar para categorias de limite de massa inferior ao qual se encontra. Tal mudança também dependerá em muito da sua composição corporal, fatores genéticos, da metodologia de treinamento adotada, e de um certo período de tempo para que ocorra de forma segura e previamente planejada. Nesse caso é recomendado que somente a porcentagem de gordura decaia, para assim assegurar que a perda será primariamente proveniente de tecido adiposo.

McARDLE; KATCH; KATCH (2003), afirmam que o valor de 5% de gordura corporal é considerado um limite inferior para que atletas de luta olímpica possam competir com segurança. Geralmente essa opção é a mais recomendada quando encontramos atletas que estão com altos percentuais de gordura. Nesses casos a redução da massa de gordura corporal poderia ser benéfica tanto no sentido do aumento da performance do atleta como também para a prevenção dos riscos específicos para a saúde da gordura corporal excessiva, mostrados no quadro abaixo.

Considerações sobre a prática de redução da massa corporal antes das competições

A prática de redução da massa corporal é uma estratégia competitiva um tanto comum entre os atletas das modalidades desportivas de luta. Muitas vezes ela é adotada por atletas que já se encontram com um ótimo percentual de gordura para a modalidade, mas que mesmo assim insistem em baixar de categoria.

Tal prática é adotada na ilusão de que estando na categoria inferior, possam enfrentar adversários com menos massa corporal, e relativamente com uma força absoluta inferior quando comparados aos da categoria superior. Dessa forma, os lutadores esperam compensar uma possível inferioridade e/ou igualdade técnico-tática diante de seus adversários, pela imposição de um superior nível das capacidades motoras de força e de massa corporal.

Entretanto os atletas parecem apenas avaliar e pensar somente nos aspectos positivos que essa estratégia possa trazer, sendo que na realidade podemos constatar muito mais desvantagens e contra indicações, do que vantagens associadas a essa estratégia competitiva.

As lutas desportivas são modalidades extremamente complexas. A performance geral envolve capacidades e habilidades físicas como a velocidade, força explosiva, resistência de força, reatividade neuro-muscular, coordenações grossa e fina, força máxima e equilíbrio.

Podemos considerar que todas as capacidades e habilidades atuam de maneiras conjuntas, influenciadas diretamente pelo estado emocional e preparação psicológica do atleta, e em prol somente da execução dos movimentos que compõe a técnica das lutas.

Os componentes técnico e tático representam os principais fatores determinantes da performance, e assim sendo, podemos concluir que o resultado final competitivo nunca pode ser atribuído a uma variável apenas, mas sim ao conjunto de todas agindo em harmonia.

ZATSIORSKY (1999), afirma que a redução de massa pode ser uma estratégia aceitável quando empregada de forma adequada (a perda não deve ser maior do que 1Kg por semana em atletas "médios" e de 2,5Kg por semana em atletas de elite). No entanto, os relatos e experiências no trazem casos onde na maioria das vezes, a estratégia é aplicada praticamente às vésperas da competição (uma ou duas semanas antes da competição, até a véspera da mesma), podendo ser extremamente prejudicial tanto para a performance como que para a saúde do atleta também.

FRANCHINI (2001), afirma que o grande problema é que a redução da massa corporal é feita pela combinação de restrição alimentar e perda de líquidos corporais por meio da realização de exercícios em um ambiente quente ou vestindo roupas de borracha / plástico. Outros dois recursos também muito utilizados são os diuréticos e os laxantes, que podem ocasionar problemas renais e irritação da mucosa intestinal, respectivamente (NEVES, 1996 APUD FRANCHINI, 2001).

KININGHAM R. B.;GORENFLOD.W, (2001), estudaram os métodos utilizados por lutadores de wrestler, nas escolas de segundo grau do estado de Michigan, nos Estados Unidos. A pesquisa foi realizada em 161 escolas num total de 441 existentes no estado e analisou um total de 2532 atletas.

Eles constataram, através de relatos e pesquisas, que um em cada quatro atletas restringe a ingestão calórica com freqüência de 3 a 4 dias na semana. 2 % dos entrevistados relataram ingerir pílulas para dieta, diuréticos, laxantes e induzirem vômitos semanalmente.

A pesquisa indicou também que ao contrário do que se pensava anteriormente, a prática é comum a todos os níveis competitivos, sem se restringir apenas a um pequeno número de atletas de elite. Relatou também o caso de três wrestlers colegiais norte americanos que, no ano de 1997, morreram utilizando técnicas de rápida perda de massa antes de uma competição.

A redução rápida de peso em menos de uma semana é a mais prejudicial ao organismo, pois ocorre principalmente pela desidratação, enquanto dietas mais prolongadas obtêm o resultado por meio de diminuição da ingestão calórica, fazendo que o atleta consuma menos energia do que gasta, mas mantenha-se hidratado (FOGELHOLM ET AL., 1993; FOGELHOLM, 1994 APUD FRANCHINI, 2001).

Quando a redução é realizada de forma brusca, geralmente ocorre: a) Redução de força muscular. b) Declínio no tempo de desempenho. c) Menor volume plasmático e sanguíneo. d) Redução na eficiência do miocárdio. e) Diminuição do consumo máximo de oxigênio (especialmente com restrição calórica). f) Enfraquecimento do processo termorregulador. g) Diminuição do fluido de sangue renal e no volume de líquidos sendo filtrados pelo rim. h) Depleção dos estoques de glicogênio no fígado. i) Aumento no total de eletrólitos sendo perdidos pelo corpo. Caracterizando-se como uma estratégia extremamente desvantajosa tanto para a performance, como que para a saúde dos atletas também. (SOUZA, 1989 apud FRANCHINI, 2001).

TAKASHI U. et al (2004), em estudos sobre as enzimas musculares, observou que em judocas, a redução da ingestão calórica, associada aos intensos exercícios de treinamento antes da competição principal, ocasionou também prejuízos à potência anaeróbia e elevação da concentração sanguínea da enzima creatina kinase. Tal fato levaria também ao enfraquecimento das funções musculares e a um aumento da suscetibilidade do tecido muscular às lesões.

Além de todas as desvantagens fisiológicas que a estratégia proporciona, podemos destacar mais um agravante ainda que seria a preocupação do atleta com a pesagem antes das lutas.

Geralmente, os lutadores que reduzem a massa às vésperas da competição nunca estão totalmente certos se estarão dentro da categoria ou não no momento da pesagem. Uma vez escritos em suas categorias, se extrapolarem os limites de massa dessa, estarão automaticamente desclassificados da competição.

Tal preocupação desfocaliza grande parte da concentração do atleta para o momento da pesagem, fazendo com que ele se concentre totalmente somente após esse momento.

Conclusões

A redução de massa corporal deve ser utilizada apenas em casos onde são encontrados altos índices de gordura corporal.

Mesmo assim ela deve ser estudada e planejada cuidadosamente pelos técnicos e preparadores físicos, de maneira a preservar a integridade física do atleta, garantindo sua saúde e melhora da performance competitiva.

A redução extrema da massa corporal em períodos curtos de tempo é insegura e pode ser muito prejudicial à performance dos lutadores na competição.

O ideal seria que os atletas competissem na categoria em que se encontram, preocupando-se mais em elevar seus níveis técnico-táticos, ao invés de somente se preocuparem com as capacidades físicas.

A melhor alternativa para a perda de massa corporal seria o incremento da força relativa através do ganho de massa muscular.

Métodos como o uso de vestimentas de borracha e/ou plástico, uso de diuréticos e restrição de líquidos devem ser extremamente desencorajados pelos técnicos e preparadores responsáveis.

Referência: Revista Digital EFdeportes, Año 10 - N° 75 - Agosto de 2004.


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Jiu-Jitsu nas Olimpíadas II



Em outro artigo neste Blog havia abordado a possibilidade de o Jiu-Jítsu entrar nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Neste, apresento material audiovisual com propostas de diversas personalidades associadas à modalidade. Agora, para validar o processo é interessante sintetizar essas propostas e colocar em prática. Fica o recado!

Leandro Paiva





Obs: Boa parte das personalidades presentes neste vídeo estará compondo mesas redondas para debater esse espinhoso tema daqui a 20 dias. Quer participar da discussão? Oportunidade única, se inscreva no I Simpósio Nacional de Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate + Curso "Pronto Pra Guerra", participe dos debates e cursos e ainda receba 2 certificados.

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Treinamento em Altitude p/ Lutadores?

Lutadores realizando treinamento físico de madrugada em região de média altitude (até 2.500m acima do nível do mar).


Cientistas do esporte, preparadores físicos e técnicos de diversas modalidades estão sempre em busca de melhorar o condicionamento físico e, conseqüentemente a performance dos atletas. Em modalidades de combate não é diferente. Já faz alguns anos que equipes nacionais de modalidades de combate inseridas nos Jogos Olímpicos, como o Boxe e o Judô, introduziram em seu planejamento anual e plurianual a estratégia de realizar treinos físicos e técnico-táticos em região de montanha (média e alta altitude), para aumentar a capacidade física dos atletas quando retornam à planície (nível do mar) para treinos e competições.

Diversos atletas da equipe brasileira de Luta Olímpica realizaram treinamento a 2.400m de altitude na cidade de Colorado Springs, nos Estados Unidos, como parte da preparação para os Jogos Olímpicos de 2008. Lá, encontraram as equipes cubana, norte-americana, alemã, chilena, dentre outras. Essa mesma estratégia tem sido utilizada por atletas de modalidades profissionais como o MMA e o Boxe profissional.

Esse tipo de treinamento começou a ser analisado não só como fator decisivo para a eficácia da preparação visando competições em regiões de montanha, mas também como meio de mobilização eficaz das reservas do organismo e obtenção de um nível mais alto de condicionamento para participação de competições em regiões de planície.

Os atletas de elite Tito Ortiz e Quinton “Rampage” Jackson já revelaram à mídia especializada que parte de seu elevado preparo físico se deve por incluírem no planejamento de seu treinamento estadas em montanha a 2.058m acima do nível do mar, localizada na cidade de Big Bear – Califórnia, nos Estados Unidos.

Acredita-se que após treinamentos realizados em região de média-alta Altitude, ocorra aumento da potência aeróbia do atleta (VO2 máx.) e, conseqüentemente, melhora no desempenho. Essas condições são relacionadas ao aumento do número e volume de hemácias sanguíneas, conseguidos em função das condições hipóxicas (baixo oxigênio atmosférico) de exposição à altitude e à manutenção adequada da intensidade de treinamento, próxima à realizada ao nível do mar. Além disso, outro fator que pode contribuir para o aumento do rendimento físico é a melhora na economia do movimento, ou seja, na quantidade de energia necessária para manter a velocidade constante do movimento.

Já outros autores acreditam que após um período de exposição à altitude pode melhorar a economia do movimento, decorrente de maior eficácia no processo de excitação e contração muscular. Apesar das divergências sobre qual é o principal fator que leva ao aumento do rendimento físico após período de treinamento em altitude (aumento do número e volume de hemácias ou melhora na economia do movimento), há consenso na literatura de que o VO2 máx. e o rendimento de atletas após período de treinamento em altitude são aumentados.

Os efeitos da exposição à altitude são relacionados diretamente ao nível de altitude, podendo ser definidos de acordo com as alterações causadas no organismo:

A. Baixa altitude – 800-1.000m acima do nível do mar. Apenas são observadas alterações físiológicas com a utilização de cargas muito grandes. Os efeitos da hipóxia não são percebidos no repouso e com cargas moderadas;
B. Média altitude – Até 2.500m acima do nível do mar. Nessas altitudes, são identificadas alterações fisiológicas mesmo com o uso de cargas moderadas, entretanto, no repouso, ainda não são percebidos os efeitos da hipóxia;
C. Alta Altitude – Acima de 2.500m do nível do mar. Nessas altitudes, mesmo no repouso o organismo apresenta alterações fisiológicas pelo fato de aumentar a hipóxia.

De modo geral, tornou-se popular o mito de que o treinamento em altitude serviria somente para a preparação imediata para uma competição iminente. Entretanto, pode ser planificado fora do período competitivo. Atletas búlgaros de Luta Olímpica e Boxe profissional, por exemplo, realizam de 3-5 estadas anuais em altitude, com alguns desses períodos não coincidindo necessariamente com as competições principais. Portanto, o treinamento em altitude pode ser planejado considerando-se três objetivos:

1) Melhoria imediata da capacidade física visando competições eliminatórias e/ou principais;

2) Elevação da condição física durante as diferentes fases da preparação, independente de competições importantes;

3) Regeneração após ciclos competitivos muito fatigantes (Período Transitório – Fase Regenerativa). Nesse período, a intensidade é leve. Não há necessidade de manter a mesma exigência de esforço da planície, evitando, desse modo, sobrecarregar o atleta sob hipóxia. Além disso, alguns fatores da montanha (ar puro, isolamento, tranqüilidade, contato com a natureza, etc.) funcionariam como meios de recuperação física e psicológica. Ainda, mesmo no repouso, sob hipóxia o organismo aumenta a produção de hemácias.

Vale ressaltar que o sucesso de um período de treinamento em altitude depende de diversos fatores, dentre os quais, podemos destacar o nível atual do atleta, pois o treinamento em altitude como estímulo adicional pode gerar melhoras no desempenho em percentuais mínimos. Desse modo, é recomendável apenas para atletas de elite que já se encontram com nível de condicionamento elevado. Para esses lutadores, torna-se cada vez mais difícil romper com as barreiras de rendimento, justificando o treinamento em altitude, pelo efeito fisiológico e pela variedade do local de treino, oferecendo estímulo psicológico adicional para o treinamento.

Os treinamentos iniciados em região de média e/ou alta altitude devem ser pouco intensos nos primeiros 7-12 dias para os lutadores se acostumarem com a hipóxia.

Em estudo recente realizado com atletas de modalidade de combate, foram investigadas as mudanças em determinados parâmetros bioquímicos sanguíneos durante treinamento de 12 dias na média altitude a, aproximadamente, 2.300m acima do nível do mar.

Os autores observaram que, já nos primeiros dias e, mesmo realizando treinamento em baixa intensidade, houveram diversas mudanças nos parâmetros bioquímicos avaliados. Verificaram também que, a Glicose Sanguínea e Uréia avaliadas, foram parâmetros que variaram menos do que a Creatinoquinase (CK), sugerindo menor variação do metabolismo, mas mudanças mais elevadas relacionadas à dor muscular. A CK, praticamente, normalizou somente no décimo segundo dia de treinamento.

Outro parâmetro observado foi a elevação dos Hematócritos (hemácias no volume total de sangue). Foi observado aumento de 12,4% já no quarto dia de treinamento, comparado ao primeiro dia. Os autores sugeriram que essa alteração poderia ser relacionada à volume de plasma reduzido (desidratação) ou já como efeito estimulante da hipóxia sobre o aumento de glóbulos vermelhos.

Por fim, concluíram que o treinamento em média altitude resultou na redução progressiva de volume plasmático e moderadas flutuações nos parâmetros bioquímicos avaliados. Além disso, sugeriram que a monitorização dos parâmetros sanguíneos foi muito útil para observar individualmente as respostas biológicas dos lutadores no treinamento realizado em média altitude.


Leandro Paiva


Referências:

1) Obmiński, Z. et al. Resting biochemical parameters throughout 12-day training period at mild altitude (2300 m). Journal of Combat Sports and Martial Arts, v.1, n.2, p.37-40, 2009;

2) Paiva, L. Pronto Pra Guerra: Preparação Física Específica para Luta e Superação. Amazonas: OMP Editora, 2009.


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Ciência da Alimentação: Implicações para Lutadores


Segue material audiovisual com informações básicas e aprofundadas sobre a Ciência da Alimentação. Conta com a opinião de profissionais e pesquisadores sobre diversos temas relacionados à nutrição. Se bem interpretados, apresentam implicações não só para o cidadão "comum", como para atletas, técnicos e outros profissionais relacionados às Lutas, Artes Marciais e Modalidades Esportivas de Combate.

Leandro Paiva






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Copa de Boxe em Manaus - AM


Segue cartaz com informações sobre competição de Boxe realizada no próximo sábado em Manaus. Foi enviado gentilmente pelo presidente da Federação Amazonense de Boxe, Luis Rocha. Bom evento de luta no Amazonas. Recomendo!

Leandro Paiva
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HOSTELS (ALBERGUES), POUSADAS E HOTÉIS NO RECREIO DOS BANDEIRANTES



Diante de diversos pedidos de interessados de outros estados desejando participar do I Simpósio Nacional de Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate + Curso Pronto Pra Guerra, segue adiante relação de hospedagem, proporcional ao orçamento de cada um. Ressaltamos que é uma lista de referência. Os organizadores do evento não se responsabilizam nem são conveniados com nenhuma das hospedagens que segue, cabendo decisão individual e independente da organização.



HOSTELS (ALBERGUES), POUSADAS E HOTÉIS NO RECREIO DOS BANDEIRANTES

Albergue Hostel Rio Surf n Stay
Rua Raimundo Veras, 1140 - Recreio dos Bandeirantes
Telefone: (21) 3418-1133

MYKONOS HOTEL
Estrada do Pontal, 8000
Bairro: Recreio dos Bandeirantes
Telefone: (21) 2490-8680 (21) 2490-8682
Site: www.mykonoshotel.com.br

Villa del Sol Hotel Residencia
ESTRADA DO PONTAL, 7100, Praia do Pontal
Recreio dos Bandeirantes, Tel: (21) 34189500

Hotel Caravelle
Av. Lucio Costa 17686
Recreio Bandeirantes
(21) 2490 - 2055

Pousada da Praia
Estrada do Pontal, 6516 - Praia da Macumba (Curvão) Recreio dos Bandeirantes - RJ
Tels.:(21)2490-6400 / 2490-4037 / 2490-3286

Hotel Atlântico Sul
Av Sernambetiba, 18000, Recreio dos Bandeirantes, Tel: (21) 34189100
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Kung Fu: Homem fura 4 cocos com o dedo e bate recorde


Material audiovisual para entreter e divertir, abordando a incrível "destreza" do Mestre de Kung Fu, que bateu novo recorde ao quebrar 4 côcos com a ponta do dedo em menos de 30 segundos. Apesar de ele ter conseguido, quase quebrou seu dedo ao se deparar com a "bravura" do terceiro côco.

Leandro Paiva



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Jiu-Jítsu vai se tornar patrimônio imaterial do Rio

Ronaldo Jacaré e o Mestre Henrique Machado.


A Assembleia Legislativa do Rio aprovou, em primeira discussão, nesta quinta-feira, o projeto de lei que declara o jiu-jítsu patrimônio imaterial do estado. No projeto, deputado Edino Fonseca (PR) lembra que, a luta foi trazida ao Brasil pelo mestre Mitsuyo Meada e passada a Carlos Gracie em 1916, que a transmitiu à família Gracie, estabelecida no Rio de Janeiro. Em nota divulgada nesta sexta-feira, o deputado afirmou que, "ao se mostrarem capazes de derrotar adversários 20 e até 30 quilos mais pesados, os Gracie conquistaram notoriedade internacional.

De acordo com a Unesco, o Patrimônio Cultural Imaterial abrange "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural.


Leandro Paiva


Fonte: http://oglobo.globo.com/



Obs: Quer aprender mais, se atualizar e conhecer de perto a preparação física de Ronaldo Jacaré, Anderson Silva, dentre outros? Oportunidade única! Participe do I Simpósio Nacional de Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate + Curso "Pronto Pra Guerra" e receba dois certificados.

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Preparação Física p/ UFC


Segue material audiovisual realizado com atletas de elite de MMA do evento UFC. Destaque para a participação do atleta peso pesado, Shane Carwin, e a realização de novos exercícios de preparação física para lutas.

Leandro Paiva


Obs: Quer aprender mais e ter acesso a informações diferenciadas como essa? Oportunidade única! Participe do I Simpósio Nacional de Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate + Curso "Pronto Pra Guerra" e receba dois certificados.


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O que você julga ser mais importante para um lutador ser campeão?



Em nossa última enquete realizamos a seguinte pergunta aos internautas: O que você julga ser mais importante para um lutador ser campeão? Seguem os resultados de acordo com a opinião dos leitores:

A) Aspectos técnico-táticos – 66%
B) Preparação Física – 66%
C) Preparação Psicológica – 53%
D) Aspectos religiosos – 20%
E) Condição sócio-econômica – 6%

Aproveitando, convido a todos para participar da próxima enquete (coluna do lado esquerdo do Blog), respondendo a seguinte pergunta: Se perdesse uma luta, o que faria diferente na próxima vez?

Leandro Paiva
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Preparação Física para competir ou competir para elevar o preparo físico?



Muitas vezes quando um atleta campeão retorna às competições após ausência em função de lesão ou outros motivos, ganhando ou perdendo, costuma alegar que sentiu um pouco de dificuldade por estar fora do "ritmo" de competições.

O que poderia ser esse tal "ritmo" de competições? Nesse contexto, a preparação física aumenta a capacidade de o lutador atingir melhor desempenho competitivo ou o fato de competir aumenta o nível de preparo do atleta?

Para tantos questionamentos, apresento algumas explicações baseado em algumas evidências encontradas no MMA, Jiu-Jítsu e em outras lutas, apresentadas no livro Pronto Pra Guerra.

O termo "ritmo" de competição, popularizado por lutadores, nada mais é do que a percepção subjetiva do atleta ao analisar seu rendimento e/ou seu estado atual de preparo físico, técnico-tático e psicológico, comparando com outros competidores adversários.

Geralmente, os atletas utilizam para estimar seu "ritmo" de competição as seguintes palavras precedentes: "mais", "menos", "fora", "dentro", "maior", "menor","melhor" ou "pior". Quantas vezes já não ouvimos lutadores em entrevistas explicar: "Não fui bem. Estava fora do 'ritmo' de competições" ou então "Apesar de estar parado há algum tempo de lutar, com menor 'ritmo' de competição, consegui a vitória".

Em diversos estudos foi observado que, nas Lutas, Artes Marciais e Modalidades Esportivas de Combates, somente em competições era observada exigência fisiológica máxima. Em diversas variáveis biológicas analisadas verificou-se que apresentavam elevações significativas comparadas a valores em repouso e, principalmente, comparadas às simulações de combate (Leia-se: sparring - MMA e Boxe; "rola" - Jiu-Jítsu, Submission e Grappling; randori - Judô).

No Jiu-Jítsu, por exemplo, foram observados valores maiores da frequência cardíaca dos lutadores nas competições principais comparados a competições de controle. Já no MMA, foi observado significativa elevação do lactato sanguíneo dos atletas comparados a situação de treinamento (sparring), em especial quando a luta ia para decisão dos juízes, ou seja, completando o período total previsto para o combate (Ex: UFC - 3 rounds de 5 minutos ou 5 rounds de 5 minutos no caso de disputa de título/cinturão).

Além disso, similarmente, em estudos realizados com atletas de outras lutas, observou-se que eles apresentavam nas competições principais valores maiores de frequência cardíaca e lactato sanguíneo, além de maior grau de tensão psicológica.

A principal razão sugerida pelos autores desses estudos em função de ter sido observado diferenças significativas entre as avaliações em situação de treinamento (controladas) e competição, foi o componente psicológico. Versaram que, em função da pressão pela vitória e de outros fatores psicológicos oriundos das competições, ocorrem situações/solicitações fisiológicas mais exigentes para o lutador. Nesse contexto também foi verificado que, quanto maior a importância dada a competição, as exigências fisiológicas aumentam proporcionalmente.

Cientes dessas evidências, cientistas e técnicos de Modalidades Esportivas de Combate, em especial as que estão presentes nos Jogos Olímpicos (Boxe, Taekwondo, Judô, Luta Olímpica e Esgrima), começaram a utilizar como estratégia de treinamento, a inclusão do atleta em maior número de competições, dentre outros, com dois objetivos principais: 1) Familiarizar o atleta com diversos fatores psicológicos oriundos da competição; 2) Elevar o nível de preparo físico funcional (específico), pois somente nessas condições o atleta é exigido em nível superior ao verificado em treinamento, promovendo, consequentemente, elevados ajustes posteriores em seu preparo físico.

Desse modo, treinadores de atletas de elite (campeões internacionais e/ou olímpicos) de Luta Olímpica – estilos livre e greco-romano – determinam que esses lutadores participem de 50-70 combates distribuídos pelas competições oficiais ao longo do ano. Comparado a esses atletas, boxeadores de elite realizam quantidade bem menor de combates distribuídos anualmente (de 25-30 combates).

Além da competição principal (aquela na qual se espera o resultado máximo do lutador), podem ser programadas competições ao longo de todo período competitivo e, até mesmo, no período anterior, sob quatro perspectivas:

A) Competição preparatória – o intuito é adaptar o atleta à situação competitiva e ao planejamento técnico-tático. Geralmente é realizada internamente, na própria academia, mas nada impede que seja realizada em outro local;

B) Competição de controle – realizada com intuito de avaliar a capacidade do lutador e, caso necessário, realizar ajustes no treinamento. Pode ser realizada internamente na própria academia; contudo, para avaliação mais realística em conformidade com as situações competitivas, recomenda-se que seja realizada em local externo como, por exemplo, outra academia na qual o técnico ou o próprio atleta tenha relacionamento amistoso com os membros da equipe. Além disso, podem-se combinar os combates para o mesmo horário verificado na competição principal e aumentar os componentes psicológicos (Ex: torcida, córner, etc.);

C) Competição de ligação ou modelar –
competição externa, sem importância classificatória para o atleta, geralmente, caracterizada pela participação de atletas de nível regional;

D) Competição eliminatória –
competição externa de relevância considerável, pois é por meio dela que o atleta se classifica para as competições mais importantes.

Ressalto que a tendência atual na preparação de atletas de elite de modalidades de combate é utilizar as primeiras três perspectivas de competição – preparatória, controle e ligação – como principal forma de preparação para as competições eliminatórias e principais (Exemplos de competições principais: Campeonato Mundial de Jiu-Jítsu – CBJJ/IBJJF; Campeonato Mundial de Submission Wrestling – ADCC; Campeonato Mundial de Grappling – Fila; “Disputa pelo cinturão” – UFC).

Concluo afirmando que é altamente recomendável não só a realização da preparação física com intuito de competir, mas, também, de competir com intuito de elevar o preparo físico. Assim, como citado anteriormente, serão mobilizados poderosamente componentes físicos e psicológicos do atleta que, além de desenvolver estabilidade psicológica em referência às dificuldades do processo competitivo, aperfeiçoar as técnicas e táticas mais eficazes em competição, elevará seu nível de preparo físico, de acordo com o planejamento adequadamente manipulado visando a competição mais importante ou principal.


Leandro Paiva


Referência: Paiva, L. Pronto Pra Guerra: Preparação Física Específica para Luta e Superação. Amazonas: OMP Editora, 2009.


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Judô: Expressões faciais de emoção são inatas

Atleta paraolímpica deficiente visual, chorando após a derrota.

Um estudo conduzido por pesquisadores americanos sugere que as expressões faciais utilizadas para demonstrar emoções são inatas ao ser humano, e não aprendidas ao longo da vida.

Os especialistas da Universidade Estadual de San Francisco chegaram à conclusão ao comparar 4.800 fotografias de atletas de judô cegos e com visão normal durante cerimônias de entrega de medalhas nas Olimpíadas de 2004 e nos Jogos Paraolímpicos.

Segundo os pesquisadores, tantos os atletas com deficiência visual quanto os de visão normal exibiram as mesmas expressões faciais ao chegar em primeiro lugar. Expressões faciais bastante similares também foram observadas entre os que perderam as competições.

Fonte genética

Durante a pesquisa, os rostos dos atletas que ganharam medalhas de ouro e prata foram examinados.

Enquanto os vencedores mostravam freqüentemente uma alegria natural com a vitória, os que ficaram em segundo lugar curvavam o lábio inferior para cima ou produziam um “sorriso social”, que envolve apenas um movimento da boca indicando mais superficialidade do que espontaneidade.

“Isto sugere que algo genético é a fonte das expressões faciais de emoção”, disse o autor do estudo, professor Matsumoto.

“A correlação entre as expressões faciais dos indivíduos de visão perfeita e as dos deficientes foi quase perfeita”.

Ainda segundo Matsumoto, o “sorriso social” ou a curvatura dos lábios para demonstrar emoções negativas pode ter sido um mecanismo desenvolvido pelos humanos ao logo da evolução para evitar gritos, ataques corporais e xingamentos.

A pesquisa foi divulgada na publicação especializada Journal of Personality and Social Psychology.

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Lançamento de livro sobre Judô



O maior pesquisador do mundo em Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate, Emerson Franchini, da USP, estará lançando seu mais novo livro em São Paulo.

Recomendo a todos que puderem comparecer, pois será um privilégio adquirir o livro e pegar a assinatura do autor presente.

Obra obrigatória na estante de qualquer aficionado por lutas!

Leandro Paiva
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