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MMA: esporte e administração de empresas?





Um gestor no MMA.

Vivemos também de bilheteria. Talvez não tenhamos que entrar nos palcos, quadras, gramados, ringues ou octógonos, mas para muitos a vitrine é seu lugar de exposição, aguardando a aceitação.

Quando os lutadores de full-contact passaram a ser observados com interesse, e os confrontos começaram a atrair fãs e possibilidades de negócios, empreendedores viram no processo uma mina de ouro.

O romantismo dos lutadores de rua ou de campeões de algumas modalidades foi logo substituído por ações concretas de geração de um novo esporte. Adorado por alguns, criticado por outros e visto, com curiosidade e espanto, por muitos.

O amadorismo deu lugar ao profissionalismo. O homem forte cedeu seu espaço ao superatleta. A sofrida busca por apoio foi substituída por patrocínios milionários, que dão visibilidade a pessoas e produtos.

Alguns poucos abnegados receberam o apoio de uma máquina de geração de resultados e dinheiro e começaram efetivamente a estruturar um negócio.

Não há uma técnica que tenha predominância em um mundo em que o desafio é desafiar. Desafiar o oponente e a frágil supremacia de uma arte.

Brasileiros, com muito trabalho e determinação, estão deixando sua marca nesse mundo. Preparadores físicos, atletas, mestres em artes marciais e empresários se envolveram em um modelo de negócio que gera oportunidades e fontes interessantes de renda.

Do amadorismo das academias ao profissionalismo, estrelato e explosão de notícias e imagens nas mídias.

Um mundo em que não basta ser "bom", um atleta de qualidade, é necessário ser sempre o melhor. The Best Athlete in The World. The Champion. Nada menos é aceitável.

Ter uma carreira com 99 vitórias e uma derrota pode ser fatal! O público rapidamente substitui o derrotado e levanta bandeiras ao novo campeão.

Vencedor e vencido precisam convencer no combate, não basta um esforço não reconhecido. Definitivamente um negócio que envolve sangue e suor, de fato.

Podemos ver o MMA – Mixed Martial Arts- com a visão do espetáculo, do confronto, das lutas, dos combates, do circo romano, da crítica. Mas, em um mundo de negócios não podemos negligenciar a visão de seu criador e de seus incentivadores.

Estes, nos bastidores, também praticam o MMA, com uma visão gerencial, da qual podemos tirar grandes lições.

Nesse sentido, faço outra leitura da sigla MMA – Maximum Management Action.

Esse espetáculo, como tantos outros, demanda Medidas Máximas de Administração ou MMA para seu sucesso.

Como gestores, devemos nos perguntar que lições podemos tirar dos grandes espetáculos para aplicarmos em nossas organizações.

Vivemos também de bilheteria. Talvez não tenhamos que entrar nos palcos, quadras, gramados, ringues ou octógonos, mas para muitos a vitrine é seu lugar de exposição, aguardando a aceitação.

No mercado de consumo de bens tangíveis e intangíveis o aplauso é reservado à amadora commodity que se torna o profissional superproduto. Reconhecido por sua reverenciada marca.

Uma ação, resultado da aplicação das melhores técnicas em todas as áreas da empresa, evitando o nocaute que pode ser provocado pelo concorrente.

Por Ivan Postigo

Fonte: http://www.administradores.com.br/
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Preparação Física de Brock Lesnar p/ Cigano





Segue material audiovisual no qual consta o início da Preparação Física de Brock Lesnar com vistas ao confronto inevitável contra o brasileiro Júnior Cigano no UFC.

Recheado de treinamento funcional, força máxima e pliométricos, conta no início com algumas cenas de seu centro de treinamento decorado com gladiadores nas paredes.


Leandro Paiva

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Preparação Física Olímpica





De modo geral, existem considerações sobre preparação física nas lutas que podem ser bem aproveitadas em modalidades análogas ou mesmo, no mínimo, reproduzidos os meios (exercícios), ajustando-os à individualidade biológica e especificidade.

Assim, segue material audiovisual precioso contendo parte da preparação da seleção norte-americana de Luta Olímpica estilo Greco-Romano. Após 2min30seg do vídeo observamos a realização de diversos exercícios. Como bônus, a parte inicial destacando a excelente infraestrutura disponível para os atletas de elite e super elite selecionados.


Leandro Paiva

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Livro Pronto Pra Guerra, UFC 126 e Will Ribeiro‏





Amigos em geral e seguidores do Blog, estou doando alguns livros "Pronto Pra Guerra" para serem aplicados em renda por intermédio do Bolão da BF EVENTOS ao atleta Will Ribeiro. Vai ser de grande ajuda para ele. Se, por gentileza, vocês puderem nos ajudar divulgando esta informação ou participando, desde já agradeceria muito.

Grande Abraço


Leandro Paiva
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Fatores de risco associados ao treinamento de Luta no alto rendimento





Em pesquisa recente publicada por pesquisadores búlgaros, foram determinados os fatores de risco associadas ao treinamento de lutas, em especial da Luta Olímpica.

Cento e vinte atletas (masculino e feminino) com idade média de 18 a 26,5 anos foram recrutados. Foram "levantadas" informações sobre lesões crônicas, lesões mais recentes relacionadas com a Luta, bem como tratamentos, histórico de treinamento e conscientização de estratégias de prevenção de lesões.

Resultados

Os resultados indicaram que 45,8% dos lutadores sofreu lesão nos últimos seis meses. A maioria dos lutadores (52,5%) relatou ter sido afetado por lesões crônicas no momento da pesquisa. A idade de início de lesões relacionadas com a Luta surgiu em média entre 15 e 17 anos. O joelho e o tornozelo foram os locais mais comuns de lesão (35%). Braços, ombros e mãos foram responsáveis por 20% das lesões. A maioria dos participantes (82%) que necessitou de tratamento consultou um fisioterapeuta. Dois dos mais pronunciados fatores de risco de lesões foram: 1) Excessivo volume de treinamento (mais de 8 horas de formação por semana); 2) Metodologia de treinamento adotada.

Conclusões

Segundo os cientistas, um limiar de treinamento individual pode ser determinado para os lutadores, que se for ultrapassado, aumentaria proporcionalmente o risco de lesões.

Na Luta Olímpica estilo Livre essas lesões afetam mais o joelho e o tornozelo. Também ressaltaram que a carga de treinamento bem planejada semanalmente pode reduzir as lesões. Por fim, destacaram que fisioterapeutas em conjunto com os técnicos têm um papel crucial no desenvolvimento deste programa de formação e prevenção.


Leandro Paiva


Fonte: S Stanev;, E Dimitrova. Training risk factors associated with wrestling injury. Br J Sports Med Volume, v.45, n.2, 2011.
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Preparação tática na Capoeira





Tiago Fernando recentemente publicou um artigo no qual asseverou sobre o contexto tático no processo de ensino-aprendizagem da Capoeira. Para praticantes, professores e instrutores desta luta, segue abaixo os principais trechos do artigo citado.

Leandro Paiva


Artigo - Metodologia do ensino da capoeira: o contexto tático no processo de ensino-aprendizagem

Autor - Tiago Fernando Vargas Muller

Fonte - efdeportes.com


Introdução

O percurso da educação brasileira tem passado por grandes mudanças em seu processo durante as ultimas décadas, e cada uma destas mudanças sem dúvida tem somente enriquecido a qualidade do ensino, e atualmente, conseguimos visualizar uma qualidade extraordinária no ensino. Um dos campos que vem se desenvolvendo de uma maneira muito acelerada e conquistando muitos espaços diferenciados é a Educação Física.

A escola como um todo deve “possibilitar aos seus alunos a estruturação e o entendimento a respeito do mundo e dos fenômenos que nele ocorrem de uma forma mais ampla possível” (NASCIMENTO & FENSTERSEIFER, 2007). Conforme adquire novas demandas e possibilidades, novos caminhos passam a ser apresentados, e dentro desta idéia de novos sub-temas a serem estudados surge um especificamente, que engloba uma complexidade pedagógica, esta nova temática a ser estudada é a capoeira.

Cabe argumentar que todo o profissional da área de Educação Física deve primar para que todo o aluno vivencie as diferentes formas que a cultura corporal de movimento tem oferecido, e incluído neste processo está a Capoeira como uma atividade que trabalha “a tática, a flexibilidade, a coordenação dos movimentos e a resposta aos estímulos de forma mais rápida em função da velocidade dos movimentos da Capoeira, a lateralidade, o equilíbrio entre outros” (SILVA apud JERÔNIMO et al. p. 01, 2010).

O estudo aqui apresentado eleva o sentido da aplicação da tática, e como ela vem se realizando no processo do ensino da Capoeira. Ainda dentro desta proposta, esse estudo permite uma reflexão dos processos metodológicos que tem ocorrido no ensino da Educação Física, fazendo compreender como vem acontecendo à utilização da tática no ensino da Capoeira e porque é importante seu desenvolvimento no processo de ensino.

O grande objetivo desta revisão de literatura é investigar quais possíveis possibilidades existem para contemplar o âmbito tático no ensino da capoeira, e verificar como pode ocorrer o processo de aplicação dessa forma metodológica. Nesta proposta torna-se possível identificar o que se tem estudado sobre o processo do ensino tático na capoeira na escola associada à Educação Física e também em academias.

1. A capoeira como conteúdo da Educação Física escolar: qual a finalidade/relevância de ensinar capoeira na escola?

A capoeira é um misto de jogo, arte, luta, dança e folclore que vem se incorporando à lógica do esporte, e essa lógica de esportivização acaba fazendo deste fenômeno, mais uma opção a ser experimentada no contexto escolar. Conforme afirma Falcão (1998, p 60) “o ensino da capoeira na escola não tem o compromisso de aperfeiçoar a técnica dos gestos em relação a um padrão preestabelecido, mas exercitá-la com objetivos crítico-emancipatório. [...] A capoeira na escola não deve ser algo apenas para ser praticado, mas algo para ser estudado” (FALCÃO, 1998, p. 57-60). A capoeira no contexto da realidade em que se encontra pode ser considerada como “sendo um método de ginástica genuinamente brasileiro, bem ajustado aos alunos, por ser oriundo de uma manifestação popular rica de movimentos e música com substrato cultural, e bastante difundida na sociedade” (CAMPOS apud NASCIMENTO, 2005).

Pensar a capoeira como parte da educação física, visualizando uma obrigatoriedade curricular, não é simplesmente colocar mais um conteúdo a ser pensado e trabalhado, e sim, é colocar a cultura brasileira em primeiro lugar, que capacitará a formação do aluno com conhecimentos e práticas corporais que possivelmente mostrarão novas oportunidades e os alunos assemelharão vivências práticas com situações do mundo que os cerca.

Para o desenvolvimento da capoeira como uma aplicação na escola seguindo as fases de desenvolvimento da criança, podemos colocar a capoeira neste contexto com atividades diferenciadas respeitando as limitações de cada ciclo de aprendizagem. Segundo Coletivo de Autores (1992) a educação se desenvolve em quatro ciclos: o 1º deles vai da pré-escola à 3º série, e é um ciclo onde esta acontecendo a organização da identidade dos dados da realidade, momento de visão sincrética da realidade, e nesse momento o professor tem importância fundamental, pois é ele quem organiza a identificação desses dados; o segundo ciclo vai da 4º série à 6º série, e é o ciclo de iniciação à sistematização do conhecimento; o terceiro ciclo trata da 7º à 8º série, momento de ampliação e sistematização dos conhecimentos; e o quarto ciclo abrange o 1º, 2º e 3º anos do ensino médio - este é o momento de aprofundamento da sistematização do conhecimento.

Visualizando esses fatores que são estabelecidos diante das fases de desenvolvimento da criança e do adolescente, pode-se aplicar uma série de conteúdos de Capoeira seguindo esta mesma lógica, uma metodologia que primeiramente traz o lúdico, e posteriormente conforme seus ciclos aumentam, aumenta-se as exigências dos conteúdos a serem aplicados, e conseqüentemente, torna-se uma necessidade que o aprendiz desenvolva suas habilidades, aprofundando o conhecimento dos elementos técnicos e desenvolvendo a tática para que o jogo aconteça de maneira madura.

2. Apontamentos acerca das diferentes tematizações metodológicas no ensino da capoeira

O que ensinar nas aulas de capoeira é algo de grande relevância no processo de aprendizagem, pois se o professor não envolver o aluno desde a primeira aula com atividades que facilitem seu desenvolvimento, ele rapidamente se desligará das atividades, e por resultado, na maior parte acaba desistindo. Para que o aluno não crie uma falsa ilusão do que é a capoeira, é necessário que esteja sempre empregado juntamente com a aula o fator lúdico, assim será possível conquistar a atenção dos praticantes. Conforme Hanlon apud Heine et al (2009, p. 02) “os aspectos de motivação também são importantes, principalmente em se tra­tando de crianças entre 7 e 10 anos de idade. O aspecto lúdico, a aprendizagem de habilidades e o contato com os amigos são fatores determinantes da motivação dos alunos.”

Como anteriormente foi descrito, o fator lúdico é sempre importante, mas como fazer para ensinar os movimentos que exigem uma determinada técnica? Como aplicar as movimentações mais complexas aos alunos? A resposta é agir de forma inteligente, mesclando o que queremos ensinar, usando de processos lúdicos, e conforme o aluno se envolve nas atividades proporcionadas, acaba por desenvolver elementos essenciais para seu próprio crescimento como a independência, a confiança e a tomada de decisão.

Anteriormente, aprender capoeira era algo bastante disciplinado, como podemos ver no depoimento de Ângelo Decânio Filho. Ele é uma prova de como era a metodologia aplicada aproximadamente na década de 30 a 50.

[...] ao chegar à roda de Mestre Bimba já encontrei sistema e método de ensino estabilizado [...] o sistema se erigia sobre três pontos fundamentais o primeiro pilar era a prática freqüente, cuidadosa, respeitosa, disciplinada, obediente aos preceitos médico-esportivos dominantes na época [...] O segundo pilar era o ritmo a musicalidade inata do Mestre e a Tradição faziam do berimbau o centro donde se irradiava a capoeira que nos dominava havia uma preocupação geral em aprender os toques a convicção de que sem conhecer os toques ninguém podia aprender capoeira todos compravam berimbau. [...] O terceiro pilar era o desenvolvimento do golpe de vista a prática repetida, sem violência das seqüências de ensino a freqüência dos jogos com diferentes parceiros apressava a fixação dos reflexos e a mentalização das situações possíveis nos bastava perceber que poderíamos aplicar o golpe esboçávamos o movimento de ataque dissimulado num conjunto de manobras de floreio para que o parceiro não descobrisse em tempo útil o nosso verdadeiro objetivo! [...] o grau mais elevado de sabedoria era adquirir a certeza da nossa superioridade técnica sem que o adversário disto se apercebesse [...] o método era claro, simples, sadio e eficaz. Iniciar com movimentos isolados simples e seguros, para desenvolver a força muscular e o equilíbrio indispensáveis a prática do esporte [...]. (DECÂNIO FILHO, 1997, P. 165-168)

Na época, a capoeira era trabalhada de uma maneira que primava ao Máximo pelas suas origens, porém já havia determinados cuidados e objetivos. A prática dos movimentos da capoeira não era no sentido de simplesmente a pratica pela pratica, mas eram desenvolvidas formas de se pensar e planejar o jogo. Esses fatores têm alguma semelhança com a proposta que queremos que a escola trabalhe. Porém, a escola, quando tiver em seu contexto a prática da capoeira, não será o local de treinamento da capoeira, será somente o local para que a criança possa vivenciar essa representação da cultura corporal do movimento (NASCIMENTO & FENSTERSEIFER, 2007). O ensino da capoeira não deve de maneira alguma ser desvinculado da sua origem cultural. Deve ser ensinada enquanto manifestação cultural, trabalhando sua historicidade, sem “desencarná-la do movimento cultural e político que a gerou” (SOUZA & OLIVEIRA, 2001, p. 45).

Para o aprendiz de Capoeira, seja ele um aluno de Educação Física, ou um aluno especifico que treina a capoeira, valores e princípios são adotados, desenvolvendo no aluno a autonomia, a cooperação, a participação social e a democratização. Estes mesmos valores também trabalhados em metodologias de outros esportes, porém na roda de capoeira é possível visualizar que o “jogador” tem liberdade de se expressar, sem preocupar-se com uma obrigatoriedade pré- estabelecida. Na roda ele pode ser criativo, conforme o andar das necessidades que venham a surgir. (SOUZA & OLIVEIRA, 2001).

Mas, ainda assim vale ressaltar que a Educação Física brasileira deve resgatar a capoeira juntamente com sua história, resgatar esse fenômeno como manifestação cultural que é, e não transformando em simplesmente mais uma modalidade esportiva a ser repetida. Outros contextos culturais incluídos na Educação Física acabaram passando por esse processo de esportivização, o que fez da pratica algo desvinculado da cultura, recebendo um tratamento ligado diretamente a técnica. (COLETIVO DE AUTORES, 1992)

3. Quais aspectos são fundamentais/relevantes no processo de ensino-aprendizagem da capoeira?

Ao realizar este estudo, percebeu-se uma determinada lacuna no ensino da capoeira. Em qualquer local que se visita e acompanha-se aulas referente à unidade tática, não se vê treinos focados na imprevisibilidade, o que se vê é um treino técnico, e isso acaba fazendo com que o praticante, ao ser colocado em uma roda de capoeira realize movimentos aleatórios, sem sentido, ou muitas vezes sem necessidade. Resumindo, realiza o movimento somente pelo movimento.

Se visualizarmos uma ordem lógica no ensino da capoeira, constatamos que a base do processo de aprendizagem se dá a partir do movimento básico conhecido como Ginga, que segundo Netto:

Entre os movimentos, destaca-se prioritariamente a ginga, movimentação básica da capoeira, de onde partem todos os outros movimentos e golpes da capoeira. Caracteriza-se pela oposição entre braços e pernas, em que os pés deslizam para trás, em busca de um equilíbrio dinâmico. (NETTO, s.d, Pg. 08).

Segundo Duarte (s.d.) “[...] ginga, movimento de corpo destinado a enganar o oponente, e que traduz toda a malícia inerente à prática de dissimular os golpes em esquivos passos de dança”. Segundo Decânio Filho (1997, p. 46) “[...] é o movimento fundamental donde emanam todos os componentes do conjunto harmonioso da capoeira!”

Usando como base a ginga explicada por esses autores, podemos afirmar que é a partir dela que todos os outros movimentos passam a desenvolver-se e a interligar-se, enriquecendo a qualidade do jogo que possivelmente o aluno venha a desenvolver. Seguindo um processo de aprendizagem crescente, defendido por muitos autores, que desenvolva do fácil para o difícil, do simples para o composto, chegamos à realidade que nos é imposta ou até mesmo que é permitida, mostrando que a capoeira também possui uma realidade de ensino composta, com muitas possibilidades a serem exploradas.

Após o aluno conhecer o movimento da ginga, está então desencadeado o processo de aprendizagem técnica de todos os movimentos, sejam eles de ataque, defesa ou acrobacias. Através de um processo evolutivo, os movimentos são constituídos para contemplar a essência do desenvolvimento do jogo de Capoeira. Ainda nesse processo de ensino da capoeira é necessário que os alunos tenham uma vivência integral, a qual envolverá domínios motores, físicos cognitivos, afetivos e sociais, sem contar os próprios conteúdos da capoeira como movimentos, músicas, instrumentos, ritmos, tradições e rituais. Uma riqueza de conteúdos dentro do processo de ensino de uma única atividade desportiva. (SILVA apud HEINE et al, 2009).

Por fim, um último elemento é acrescentado para completar os recursos que o aluno vem utilizando, que é essencial para que o jogo da capoeira passe a ter um significado real, deixando o aluno apto a jogar. Segundo Heine et al (2009), o jogo da capoeira não é algo pré-estabelecido, ela (a capoeira) permite a liberdade de movimentos e isso gera estratégia de jogo, que em outras palavras é a contemplação do nosso permanente elemento de ensino: a tática.

4. A importância da tática no ensino dos esportes em geral

Quando tratamos do elemento tático no ensino dos esportes em geral estamos nos referindo à qualidade mais importante quando tratamos do contexto busca por resultado. A tática é um elemento essencial quando se necessita objetivar, planejar o resultado que se quer obter. Utilizar-se da tática é fazer o planejamento de determinados procedimentos para que como resultado possa-se alcançar um objetivo em determinadas circunstâncias. (BARBANTI, 2002)

Se objetivarmos a busca pelo melhor resultado, ao final o que atingimos será o fruto desse planejamento inicial que em outras palavras é o que estamos buscando entender, a tática no ensino das modalidades esportivas. Kunz (1991) coloca que os alunos devem agir de forma independente, devem estabelecer e definir situações de forma responsável dentro dos esportes, o que indica a importância de um aluno aplicar o melhor de si dentro de qualquer situação. Isso significa pré-determinar seu futuro, que em outras palavras é o mesmo que propor sua tática.

Paes & Balbino (2005, p. 70) dizem que “um dos meios que contribui com a preparação técnico-tatica [...] é a utilização de conhecimentos teóricos que norteiam o treinamento [...] podem auxiliar na compreensão dos objetivos e metas no decorrer do processo[...]”. Analisando esta passagem vimos que não basta apenas aprender o movimento, mas também é necessário teorizá-lo para que sua compreensão alcance maiores objetivos. Esta percepção de importância das múltiplas capacidades será analisada no capitulo a seguir.

Garganta (1998, p. 21) considera que “Na medida em que as ações de jogo ocorrem em contextos de elevada variabilidade, imprevisibilidade e aleatoriedade, aos jogadores é requerida uma permanente atitude estratégico-tática”, o que quer dizer que quanto mais for desenvolvido o âmbito da imprevisibilidade, mais capacidade o aprendiz terá diante da leitura de uma situação de jogo.

5. Como tem se pensado a aplicação da tática no processo de ensino aprendizagem da capoeira

Constata-se através de estudos sobre a metodologia de ensino da Capoeira que “se configuram ainda no modelo de aula, adotado no século passado”, o que aqui é descrito tem um foco direcionado para a repetição de movimento, o movimento treinado tecnicamente como relato: “Vale atentar que um determinado modelo de técnica (forma mais adequada de lançar o golpe) é dominante e praticamente único” (ARAÚJO, et al. p.25. s.d.), então, sem sombra de dúvida, identificamos a falha maior que indica a não realização de um treinamento tático.

Araújo et al (s.d, p. 25) apresenta um modelo de aula que na atualidade é praticamente o que se encontra em academias ou até mesmo em modelos de aula escolares:

Seu início consiste no que podemos chamar de aquecimento, um mix de movimentos ginásticos (corridas, saltito, exercícios localizados com apoios e abdominais e flexibilidade), em seguida a aula propriamente dita que se organiza praticamente em cima da mesma lógica inventada por Bimba no século passado- a seqüência de ensino - que é realizada pelos capoeiras repetidas vezes com algumas diferenças. Por fim, o volta à calma geralmente um jogo entre as duplas, ou uma pequena e breve roda e em alguns casos seqüencialmente um trabalho de alongamento e relaxamento. (ARAÚJO et al. s.d. p. 25)

Quem observa uma roda de capoeira não percebe toda a complexidade existente. Tem-se a impressão de somente existir uma forma de se jogar a capoeira, que a criatividade não está presente, que tudo não passa de uma combinação. O contrário do que se visualiza nas rodas de Capoeira, pode ser visto na aula, onde uma rigidez técnica e programática é aplicada dentro das conformidades necessárias. Porém esse âmbito severo desenvolvido na aula acontece de forma diferente na roda, onde o que se vê uma alegria dominante, não como desordem, e sim como disciplina. Essas diferentes realidades têm a missão de disseminar culturalmente e até mesmo esportivamente a Capoeira em todas suas áreas de atuação direta ou indiretamente (ARAÚJO et al, s.d.).

Tanto na escola como nas academias e centros de treinamento a capoeira é trabalhada focada na perfeição da movimentação, e repetindo o movimento inúmeras vezes para que se possa estabelecer uma melhor qualidade em sua execução. Pensando nessa lógica, é possível detectar falhas no processo do ensino e perceber a não contemplação do elemento tático no contexto do ensino-aprendizagem.


Observando os conteúdos apresentados por Nascimento, podemos relacionar com os conteúdos apresentados no referencial curricular por González & Fraga (2009) apresentados como proposta de conteúdo para a educação física escolar. Associado a todos os conhecimentos possíveis em relação ao ensino das lutas (neste caso especificamente a Capoeira), contemplam-se tanto os saberes corporais: saber praticar e conhecer, como os saberes conceituais: técnicos e críticos. (GONZÁLEZ & FRAGA, 2009).

Se observarmos esse modelo de conteúdos apresentado por Nascimento (2010, mimeo), fica clara a riqueza de possibilidades que se pode inserir no conhecimento de um aluno que aprende a Capoeira. Ao observarmos o item “c” relacionado à dimensão técnico-tática, percebemos que ao tratar do ensino dos movimentos cabe ressaltar que para além da técnica, é preciso que o aluno aprenda a movimentar-se utilizando de sua base-ginga, e aprenda a desenvolver novas possibilidades, experimentando tudo aquilo que auxilie no processo de definição do jogo, neste caso associado diretamente à tática.

“Jogar Capoeira significa, [...] constante tomada de decisões para a solução de problemas, em que cada gesto ou movimento executado por um dos jogadores repre­senta um pequeno problema que deverá ser resolvido imediatamente pelo parceiro de jogo.” (HEINE et al. 2009, p. 10) Observando esta passagem, fica mais do que clara a presença da imprevisibilidade no jogo da capoeira. A partir do momento que instigamos o aluno a desenvolver o âmbito tático em seu processo de ensino-aprendizagem, estaremos desenvolvendo uma qualidade imensa de jogo e este estará sempre motivado, não se cansando do que está aprendendo, cada aula se torna uma novidade, um momento prazeroso de contato com a cultura da Capoeira e com os colegas.

Considerações finais

De acordo com todas as referências bibliográficas pesquisadas, é possível constatar que o elemento tático não aparece de forma clara, e no ensino da capoeira escolar. Se refletirmos diante do ensino da Capoeira, chegamos a conclusão de que é a tática que vai desenvolver o jogo do aluno, a técnica do movimento poderá ser aplicada em um contexto posterior. A tática pode ser visualizada como a essência do ensino da Capoeira, quanto mais desenvolver metodologias voltadas ao ensino tático, mais capacidade de percepção o aluno poderá desenvolver.

A capoeira como conteúdo programático na educação física escolar utilizando um foco de ensino voltado para o processo de desenvolvimento da tática no ensino aprendizagem faz com que o aprendiz desta cultura desenvolva mais rapidamente a atenção e agilidade o que resultará num rápido aprendizado do aluno pela arte, e este aluno não só terá uma visão mais ampla como também poderá se sujeitar mais facilmente aos conteúdos impostos em uma aula de Capoeira. O aluno desenvolve uma grande capacidade de envolvimento, onde o seu objetivo principal não é realizar corretamente um determinado movimento, utilizando-se do melhor desempenho técnico possível, mas ter a liberdade de se expressar e construir sua maneira de jogo como ele vier a compreender melhor.

Conclui-se então que a falta de aplicação do elemento tático no jogo da capoeira, pode prejudicar não só o empenho do aluno como sua própria auto-estima. O aprendiz necessita de um envolvimento maior para que desenvolva com maior capacidade e velocidade o jogo da capoeira. A técnica é importante também, mas no processo de iniciação, a tática mostra resultados maiores, e um aproveitamento maior da aula na qual o aluno está condicionado a realizar.

Aprender a desenvolver a tática na aprendizagem da Capoeira é um processo que demanda do educador estratégias que contemplem este contexto, seja no jogo como no próprio desenvolvimento das atividades de aula. É necessário estar centrado nas capacidades possíveis a serem desenvolvidas de acordo com a exigência e o nível de entendimento do aluno. A tática é quem vai determinar o desenrolar do jogo.
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Descentralização do judô dá resultados

Milena Mendes, judoca brasiliense que treina em São Paulo.



São Paulo continua dominando o cenário nacional do judô. Mas, aos poucos, outros estados começam a formar atletas para representar o país nas maiores competições mundiais.

É inegável que São Paulo é o grande polo nacional do judô. Os resultados da Seletiva Nacional realizada pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ), em São Paulo, no último fim de semana, para formação da equipe principal do Brasil, comprovam essa afirmação. Os 28 atletas selecionados representam apenas cinco estados da Federação. E, do total, 16 judocas treinam atualmente em São Paulo, o que equivale a dizer que 57,14% da elite da modalidade no país estão concentrados no estado paulista.

Atletas, treinadores e dirigentes argumentam que a hegemonia paulista se deve ao fato de o estado ter o maior número de praticantes de judô do Brasil e de deter os maiores e melhores centros de treinamentos, além de sediar grande parte das competições em território nacional. Ney Wilson Silva, coordenador técnico internacional da CBJ, lembra ainda que a capital paulista tem a maior colônia japonesa do mundo, o que contribui para a tradição do esporte na cidade.

“Todos esses fatores colaboraram para a supremacia de São Paulo. Comparado com outros estados, São Paulo trabalha no fortalecimento do judô há muito mais tempo”, afirma o responsável pela Seleção Brasileira principal.

Na opinião de Luiz Antônio Romariz, coordenador das equipes de base da CBJ, é natural que São Paulo domine o cenário nacional. “Sendo a quantidade de academias e atletas muito maior lá do que em outros estados, é de se esperar que São Paulo tenha uma certa supremacia”, diz.

Mas o domínio de São Paulo no judô já foi maior. Se observarmos o histórico das Olimpíadas, é possível notar que se em Sydney-2000 nove dos 11 atletas eram de São Paulo, em Pequim–2008 esse número caiu para seis, de um total de 13 representantes. Apesar de ainda saírem de São Paulo os melhores atletas do Brasil, a descentralização vem ocorrendo ano após ano.

“Há 10 anos, uma nova diretoria assumiu a Confedereção e vem realizando seletivas, treinamentos, e dando apoio de infraestrutura a outros estados”, explica Ney Wilson. “É claro que não se consegue mudar um cenário de uma hora para a outra. Mas as transformações já são perceptíveis. As categorias de base já têm atletas de 15, 16 federações diferentes que um dia vão chegar à Seleção principal e vão mudar o quadro gradativamente”, aposta o coordenador técnico da CBJ.

Rumo às Olimpíadas

Confira os atletas classificados para a segunda fase
da seletiva Projeto Londres 2012

Feminino
48kg: Cristiane Pereira (RJ) e Nathália Brígida (MG)
52kg: Eleudis Valentin (SP) e Milena Mendes (SP)
57kg: Giullia Penalber (RJ) e Mariana Barros (SP)
63kg: Katherine Campos (RJ) e Manoela Braga (RS)
70kg: Gláucia Lima (SP) e Nádia Merli (SP)
78kg: Rosangela Moraes (SC) e Samantha Soares (SP)
78kg: Aline Puglia (SP) e Claudirene Cesar (SP)

Masculino
60kg: Daniel Moraes (MG) e Diego Santos (RS)
66kg: Charles Chibana (SP) e Luis Revite (SP)
73kg: Leonardo Luz (SP) e Moacir Mendes (RS)
81kg: Felipe Costa (SP) e Rodrigo Rocha (RJ)
90kg: Bruno Cunha (RJ) e Felipe Oliveira (SP)
100kg: Alex Aguiar (SP) e Renan Nunes (RS)
100kg: Leandro Gonçalves (SP) e Luiz Carmo (SP)
>>Total: 28 SP: 16 MG: 2 RJ: 5 RS: 4 SC: 1

Qualidade em todos os estados

No país do futebol, o que não falta são judocas talentosos em estados fora de São Paulo. O Distrito Federal é prova disso. Da capital já despontaram atletas como Luciano Corrêa, ex-campeão mundial, Ketleyn Quadros, bronze nas Olimpíadas de Pequim-2008, e Érika Miranda, bronze no Pan do Rio-2007. Todos eles, entretanto, têm uma história idêntica: acabaram saindo do DF para treinar fora e hoje representam outros estados em competições.

O problema, segundo Luiz Antônio Romariz, sãos as barreiras financeiras que os atletas encontram em seus estados naturais. “Em 2010, a equipe brasileira masculina sub-20 tinha três atletas de Brasília. As cidades conseguem formar atletas até certo nível, mas depois, quando eles precisam de maior volume de treinos e investimentos de clubes, eles não encontram e acabam se mudando para outros centros para conseguirem entrar na seleção principal”, explica. “No DF, por exemplo, temos excelentes treinadores. Mas os investimentos são poucos e inconstantes, o que causa muito problema para o planejamento dos atletas”, defende.

Luciano Gonçalves é técnico em Brasília. E diz que o apoio e a estrutura disponível na cidade nem se comparam ao da capital paulista. “São Paulo importa atletas de todos os estado do país. Quando o Luciano Corrêa saiu de Brasília, ele já era campeão brasileiro e sul-americano e era mais ou menos o que é hoje”, argumenta. “Esses atletas saem de seus estados já muito fortes, mas acabam indo para São Paulo em busca de apoio e condições de treinamento. Se hoje repatriássemos nossos atletas e déssemos a eles estrutura, lutaríamos de igual para igual com os paulistas”, acredita.


Sair ou não de casa?

Na Seletiva Nacional, dos quatro judocas naturais de Brasília, apenas Milena Mendes, que atualmente vive e treina na capital paulista, conseguiu uma vaga na Seleção. Lucas de Oliveira, Vinícius Sakamoto e Takashi Haguihara (que treinam na capital) foram superados.

Milena diz que sentiu bastante diferença depois que se mudou para São Paulo. “Me adaptei muito rápido a São Paulo. Aqui tem mais competições, mais volume de treinos e mais massa para treinar. Acho que isso faz a diferença. Em Brasília tem um número muito restrito de pessoas. Então, a gente chega a um ponto em que não consegue mais evoluir”, declara. A judoca, contudo, não acredita que seja necessário sair da capital federal para um dia realizar o sonho de entrar para a seleção principal. “Brasília tem técnicos excelentes. O que eu acho que precisa é que o atleta passe um tempo fora, no Rio de Janeiro ou em São Paulo, fazendo treinamentos”, opina.

Sarah Menezes, única representante do Nordeste do Brasil nas Olimpíadas de Pequim, também não acha necessário abandonar o lugar em que nasceu para treinar. Tanto que nasceu e continua vivendo no Piauí. “Tem que treinar e se aperfeiçoar. É preciso ser profissional e ter responsabilidade, não sair do seu estado”, garante a jovem judoca, de 20 anos. “São Paulo vai ter sempre muita gente treinando comparada a outros estados porque é lá que os grandes clubes estão concentrados. Mas vemos que o judô está evoluindo. Apesar de muitos dos melhores serem de São Paulo, estão aparecendo atletas de qualidade em outros estados”, afirma.



Entrevista - Leonardo Luz - Tragédia e superação

Há seis dias de competirem por uma vaga na Seleção Brasileira, os irmãos Leonardo e Carlos Luz receberam uma notícia que quase os fizeram desistir do sonho olímpico: a mãe, Glória, havia morrido. A maior incentivadora dos rapazes estava viajando de moto com um grupo de amigos a caminho da Argentina, quando sofreu um acidente em Ituiutaba, interior de Minas Gerais. Carlos, 26 anos, decidiu participar da competição no último minuto e acabou derrotado. Já Leonardo, 27 anos, encontrou forças para vencer as duas lutas e conquistar uma das vagas na categoria leve (até 73kg). De Natal, onde descansa com a família, Leonardo Luz conversou com o Correio:

Como você e seu irmão reagiram à morte da sua mãe?

O Carlos estava morando e trabalhando em Portugal, longe da família. Então, para ele foi muito difícil. Ele ia desistir e decidiu participar da Seletiva de última hora. Foi para São Paulo no sábado para lutar no domingo. Não conseguiu treinar direito e isso acabou refletindo, tanto que não consegui a classificação. Eu já estava treinando muito para a Seletiva. E quando aconteceu essa tragédia fui para São Paulo o mais rápido possível para esfriar a cabeça. Não tem como não se abalar. Cheguei a chorar antes de começar a competição. Mas era uma coisa que ela queria muito. Então, lutei por ela.

Seu técnico em Brasília, o Luciano Gonçalves, disse que ela era a maior incentivadora de vocês…
Meu pai e minha mãe. Se não fosse por eles não estaríamos no esporte.

Como foi sua preparação para a Seletiva?

Desde o começo do ano passado, a gente focou nas competições que davam vaga para a Seletiva, que eram o Campeonato Brasileiro e o Troféu Brasil. O Carlos ganhou o Troféu Brasil. E depois que eu ganhei o Brasileiro, tirei uma semana de férias e depois não parei de treinar até a semana que minha mãe faleceu. Nessa última semana, só não treinei na segunda, que foi o dia em que ela morreu; na terça, que foi o sepultamento; e na quarta, quando viajei para São Paulo.

Qual foi a maior dificuldade na Seletiva?

Foi o falecimento da minha mãe. Eu sabia que estava bem preparado, tinha me classificado bem nas outras competições e sabia que o que iria fazer diferença era a cabeça. Só havia dois adversários com quem eu não tinha lutado e o meu irmão, para quem eu tinha perdido. Então, eu estava muito confiante. Mas minha cabeça não estava funcionando. Se eu entrasse, poderia perder. Se não lutasse, iria perder. Então, achei melhor arriscar.

Você chegou a treinar no Japão. O que isso lhe acrescentou?

A gente sempre busca treinar nos melhores locais e eu e meu irmão fomos para lá, moramos lá e vimos que é tudo que nem aqui: eles têm dois braços, duas pernas e isso melhorou muito a nossa confiança. A gente viu que podia lutar de igual para igual. A gente precisou ir para lá para descobrir que podia ganhar deles.

Você treinou também em vários estados. Qual a diferença do judô brasiliense para o dos outros locais?

O que eu senti de diferença é que aqui em Brasília o judô é bem técnico. Sempre saem atletas de nível muito bom. O que falta é incentivo. A gente tem que pagar academia, pagar isso, pagar aquilo, mas os professores são excelentes. Os atletas da categoria júnior, que é quando o pai consegue manter, ficam aqui. Mas depois acabam saindo, como foi o caso da Erika Miranda, da Ketleyn Quadros, do Luciano Corrêa…

Você e seu irmão lutam na mesma categoria. Existe uma rivalidade?

Não. A gente se ajuda muito e treina junto há muito tempo. No troféu Brasil, fizemos a final e competimos sem problemas. A gente dá dicas sobre os adversários e um sempre fica feliz pelo outro.

Agora você vai disputar a Seletiva interna para definir a Seleção Brasileira A, B, C e D. Quais são as expectativas?

Dois dos classificados eu já venci. O outro é o João Derly, campeão olímpico, que está vindo de lesão e é o atleta com o qual eu não sei como vai ser a luta. Todos são atletas de alto nível e que podem ganhar de mim. Mas estou confiante.

Fonte: http://www.superesportes.com.br/

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