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Periodização na Capoeira



Apesar de ser uma luta genuínamente brasileira, classificada como mista (admite-se golpes traumáticos ou de percussão, de projeção e oriundas das "lutas de solo"), existem poucas publicações científicas sobre aspectos físicos na Capoeira.

Em contraste, em referência à produção científica de cunho sócio-cultural esta luta é, sem dúvida, a com maior número de publicações, além, ratifica-se, com maior número de praticantes no Brasil.

Para preencher esta lacuna, apresentamos abaixo as principais informações de artigo recente sobre o tema. Esperamos que sejam de grande valia para os interessados.

Leandro Paiva


Título: Periodização do treinamento desportivo: proposta de um macrociclo para capoeiristas desportivos

Autores: Fábio Barreto Maia da Silva & Tácito pessoa de Souza Junior

Fonte: http://www.efdeportes.com


1. Introdução

A capoeira é uma prática desportiva, na qual se verifica a necessidade de uma metodologia adequada ao praticante que atinge um nível elevado de movimentos. Segundo Verkhoshansky, (2001) a conexão entre o estado físico do desportista e uma dada carga é questão central na teoria e na tecnologia da programação do treinamento. O treinamento da capoeira é direcionado para rodas e batizados, e parece que nas rodas que se desenvolve o aprendizado e a criatividade dos movimentos e acrobacias. O batizado é um evento de cunho competitivo, no qual se demonstra tudo que se treinou, desenvolveu e criou. Os movimentos e acrobacias apresentam um alto índice de complexidade, que exige força, potência, resistência muscular, velocidade, coordenação e flexibilidade, comum entre os que têm um melhor desenvolvimento e domínio motor.

Para melhorar a potência de um atleta, devemos melhorar a força máxima dinâmica e a força de potência desse desportista com o treinamento de força (ZATSIORSHY, 1999; SCHMIDTBLEICHER, 1992; RODACKI, 1994; MORITANI, 1979). Ao que parece, não foi adotado nos treinos contemporâneos um sistema periodizado para capoeiristas desportivos, que executam movimentos e acrobacias com altas intensidades e grau elevado de dificuldade. Com a periodização poderíamos respeitar os princípios científicos da atividade utilizando de meios e métodos planejados para obtenção do rendimento ótimo de um capoeirista ou grupo de capoeira. Este modelo tornaria mais efetivo o objetivo dos atletas, que acabam treinando no dia da competição (batizado), ou executam treinos excessivos poucos dias antes, sem respeitar a supercompensação, podendo chegar aos eventos com algum tipo de lesão, e até mesmo atingir um rendimento ótimo (peak) dias antes ou depois do previsto.

O sistema de treinamento não deve ser baseado na lógica ou experiência empírica e sim nos fundamentos metodológicos do treinamento desportivo, que se utiliza de ferramentas como a fisiologia, bioquímica e nutrição (FRY, 1992; BAKER, 1993; TSCHIENE, 1992; CARL, 1989). O treinamento físico vigente não é focado nos fundamentos da preparação do desportista, conseqüentemente não se avalia, planeja, organiza e supervisiona o treinamento físico, nem se respeita o tempo de estímulo e descanso, volume e intensidade.

O metabolismo energético predominante na capoeira desportiva é o anaeróbio, por apresentar um tempo médio de 8 a 40 segundos. Para que os estímulos sejam aplicados em tempo apropriado, à organização das etapas destinadas ao treinamento, competição e descanso do atleta é fundamental (ZAKHAROV, 1992; TSCHIENE, 1989).

2. Breve histórico da capoeira regional

Nesse trabalho estamos nos apoiando nos moldes da Capoeira Regional criada pelo mestre Bimba que segundo Carvalho (2002) “Bimba criou uma metodologia de ensino, onde a capoeira ganhou um caráter esportivo e passou a ser praticada por pessoas das mais variadas classes, inclusive os intelectuais e a elite”.

Esta criação era tida por todos como uma outra capoeira, distinta da que se tinha na época. Esse novo estilo ganhou a aceitabilidade da sociedade, sendo introduzida nos estabelecimentos de ensino, academias, praças, clubes, centros recreativos, em todo espaço apropriado ou não para a sua prática, sendo uma luta que não precisa de uma estrutura física adequada para elaboração das aulas, diferentes das demais (REGO, 1968).

Foi a partir do Mestre Bimba que a capoeira regional passou a ser praticada nas academias, deixando as praças. Esses fatos propiciaram que a capoeira fosse dividida, obtendo, agora, dois estilos. Com a criação da Luta Regional Baiana, conhecida por Capoeira Regional, o estilo praticado anteriormente passou a se chamar Capoeira Angola, tendo como representante o Mestre Vicente Ferreira Pastinha.

A capoeira foi mais uma vez valorizada pela sociedade com estas medidas tomadas pelo Mestre Bimba, o que contribuiu para que ela começasse a ganhar adeptos, sendo em 1972, reconhecida oficialmente como esporte (SANTOS, 1990).

3. Características da modalidade

Na literatura especializada não se encontra uma característica definida para capoeira, Zakharov e Gomes (1992) referem-se a grupos de modalidades, o primeiro é o de modalidades complexas de coordenação, que “exigem a expressão estética, artística, no cumprimento do exercício de competição (ginástica esportiva e artística, saltos de natação, ginástica rítmica, etc.)”. Os autores oferecem margens para inclusão de outras modalidades como a Capoeira. Parece que nos eventos o metabolismo energético predominante é o anaeróbio, visto que cada apresentação tem um tempo médio de 8” podendo chegar a 1’, quando se impõe alta intensidade esse tempo tende a baixar. Nas rodas a velocidade de execução de movimentos e acrobacias está estreitamente relacionada com a força, potência e a resistência muscular. Devemos estar atentos à flexibilidade do capoeirista, que também e exigida.

Buscando contribuir para a redução da escassez de dados, o presente estudo propõe um macrociclo anual para que os treinos contemporâneos sigam os princípios do treinamento desportivo, e com isso incentivar os capoeiristas desportivos a utilizarem os meios e métodos da preparação física bem como os testes controles para orientação das cargas de treino.

4. Materiais e métodos

A amostra foi composta por 10 capoeiristas desportivos experientes e condicionados na modalidade capoeira regional, com idade média de 24,4 +/- 2,36 anos, que participaram do macrociclo de preparação de 06 meses. Os indivíduos participantes do experimento neste trabalho não são fumantes ou consumidores de qualquer suplemento ou drogas proibidas pelo Comitê Olímpico Internacional. Este fato foi verificado através de consulta pessoal aos participantes. Antes da coleta de dados, todos responderam negativamente aos itens do questionário PAR-Q (MADER, 2006) e assinaram um termo de consentimento e proteção de privacidade conforme Resolução nº. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil. Este teve 145 sessões de treino e 08 rodas principais que foram utilizadas para este estudo. A coleta de dados foi realizada no próprio ambiente de treino.

O teste de resistência de golpes, no qual foi estipulado um estímulo de 20 segundos de um golpe denominado queixada com pausas de 10 segundos passivo. O material: fita de cor branca, uma haste regulável variando de 1,50 a 1,70 cm. O avaliado se posiciona na posição básica da ginga1 é marcado com a fita o local no chão em que se encontra o pé esquerdo anterior e o mesmo para o pé direito posterior, para delimitar o espaço da ginga para realização dos golpes queixada. A haste de ferro é regulada na altura do tórax do avaliado em posição de ginga; os golpes deverão ser realizados por cima da haste, para obtermos um padrão na altura dos mesmos. O avaliado realiza quantos golpes puder no tempo de 20 segundos, e prossegue as séries até uma redução de 10% no total dos golpes. Finalizada essa 1º etapa realizada no turno da manhã, uma nova aplicação, 2º etapa, para confirmação dos dados é aplicada no turno da tarde do dia subseqüente.

No teste de velocidade de movimentos e acrobacias o estímulo foi de 8 segundos com 20 segundos de pausa passiva. Neste teste cada avaliado elaborou uma seqüência acrobática própria. O material: um cronômetro, e na fase inicial um tatame, nas fases específicas foi retirado o tatame.

O teste para força muscular foi o de uma ação muscular voluntária máxima (1AVMD [1RM]). Segundo propostas de Phillips (2000), sustentadas também por Pereira e Souza Júnior (2005), a utilização correta da terminologia aplicada ao teste de carga máxima seria “Ação Muscular Voluntária Máxima” (AMVM), a qual poderá avaliar a maior força gerada voluntariamente por uma ação muscular voluntária máxima dinâmica (AMVMD) ou estática (AMVME) (SOUZA JUNIOR, 2007). Embora a terminologia proposta por DeLorme e Watkins (1948) seja aceita internacionalmente (1 RM), o entendimento para “repetição” estaria indicando mais de uma execução e, por estarmos expressando a máxima ação muscular em um único movimento, utilizaremos neste trabalho a terminologia proposta em questão. Contudo, quando o número de repetições for igual ou superior a dois, utilizaremos a terminologia repetição máxima (RM).

A testagem iniciava-se após dois minutos de aquecimento. Os sujeitos foram orientados para tentar completar duas repetições. Caso fossem completadas duas repetições na primeira tentativa, ou mesmo se não fosse completada sequer uma repetição, uma segunda tentativa era executada após um intervalo de recuperação de três a cinco minutos com uma carga superior (primeira possibilidade) ou inferior (segunda possibilidade) àquela empregada na tentativa anterior. Tal procedimento foi repetido novamente em uma terceira e derradeira tentativa, caso ainda não se tivesse determinado a carga referente a uma única repetição máxima. Portanto, a carga registrada como 1 AVMD foi aquela na qual foi possível ao indivíduo completar somente uma única repetição (CLARKE, 1973).

A gordura corporal relativa (% gordura) foi calculada pela fórmula de Siri (1961), a partir da estimativa da densidade corporal determinada pela equação envolvendo a espessura de sete dobras cutâneas (JACKSON, POLLOCK, 1978).

No teste do salto vertical com contra-movimento (SV) de Johnson e Nelson (1979) adaptado pelos pesquisadores. Foi permitido ao sujeito efetuar a fase excêntrica, em que o indivíduo executa o mais rápido possível à transição para a fase concêntrica.

A preparação geral desenvolvera de forma equilibrada e harmônica as capacidades motoras, segundo o modelo tradicional, a preparação do organismo, à força, velocidade, resistência e flexibilidade do atleta referente à modalidade (FORTEZA, 1999).

O primeiro momento da coleta de dados para identificação do estado de saúde e aptidão para participação de atividades com esforços físicos intensos do atleta fora realizado na segunda semana da fase inicial. Os demais controles para observação de rendimento foram realizados nas rodas, no decorrer do macrociclo. O segundo momento da coleta de dados para identificação do estado de saúde e aptidão do atleta para iniciar a preparação especial foi realizado no final da fase inicial. Uma terceira avaliação foi realizada no período pré-competitivo sem o teste de 1 AVMD.

Para analise dos dados utilizou-se o programa estatístico SPSS 10, teste Wilcoxon signed-rank test. O nível de significância estatístico adotado foi de p ≤ 0,05.

5. Resultados

Na amostra inicial do presente estudo, foram selecionados 10 capoeiristas desportivos, sendo que desse total todos concluíram o estudo.

Verificou-se que da 2ª até a 17ª semana o teste de 1 AVMD apresentou aumento significativo (p=0,0054), da 17ª para 25ª semana não houve alteração na 1 AVMD.

Quando comparamos o teste do salto vertical, verificou-se que da 2ª até a 17ª semana ocorreu redução significativa (p=0,0058) nos saltos e da 17ª até a 25ª semana houve aumento significativo (p=0,0058).

O teste de resistência de golpes apresentou redução significativa (p=0,0047) da 2ª até a 17ª semana e aumento significativo (p=0,0054) da 17ª até a 25ª semana.

6. Discussão

A periodização utilizada no nosso estudo é habitualmente usada por desportistas, cuja base é constituída pelos exercícios físicos que visam ao aperfeiçoamento máximo das potencialidades do organismo (DANTAS, 1985; KRAEMER, FLECK, 2002; ZAKHAROV, 1992), de acordo com os requisitos da capoeira.

O desejável é estabelecer um modelo o mais próximo possível da realidade da modalidade, no qual proporcione uma adequada variação no volume e na intensidade do treinamento e adaptações anatômicas e fisiológicas. Os testes utilizados neste estudo são acessíveis, práticos e de baixo custo. Até o presente, foge ao nosso conhecimento estudos sobre periodização desportiva na capoeira.

Este estudo sobre treinamento para capoeiristas desportivos explicou como determinada prática induz ajustes que aprimoram o desempenho na referida modalidade. Os resultados obtidos na Tabela 1 demonstram que a estrutura de treinamento inicial promoveu ganhos de força máxima e ligeira queda na potência por ter ênfase no volume em relação à intensidade e de desenvolver capacidades gerais. Foi proposto na fase subseqüente, métodos no intuito de estimular potência e velocidade de acordo com a especificidade da capoeira, visto que a base de força foi desenvolvida nos mesociclos anteriores.

Alguns autores apontam o grau de produção de força como o fator mais importante para aumentar o desempenho no salto vertical, pois, maximiza a velocidade no instante da decolagem. O atleta de capoeira desportiva deve treinar potência, através de exercício pliométricos na fase competitiva, pois, é uma das capacidades físicas predominantes no jogo acrobático. Os resultados do teste de impulsão vertical aumentaram na 25ª semana em virtude de meios e métodos específicos de resistência e potência na preparação especial, pois a base de força foi desenvolvida na preparação geral.

A força máxima dinâmica merece atenção na formação da base de força para o capoeirista. O treinamento de força deve ser praticado similarmente ao gesto da capoeira, proporcionando adequada transferência de força aos movimentos e acrobacias executados.

O teste de resistência de golpes mostrou-se semelhante ao salto vertical com queda na 17ª e aumento satisfatório na 25ª semana, pois com a redução no treinamento de força os capoeiristas tornavam-se resistentes realizando mais golpes na preparação competitiva Tabela 2.

O percentual de gordura não apresentou diferença estatisticamente significativa, porém uma das hipóteses para explicar a diferença na potência, se deve ao leve aumento do peso corporal.

O teste de resistência de golpes deve ser aplicado em outros estudos sobre treinamento de capoeiristas e apresentado na comunidade científica, para melhores ajustes em relação aos estímulos e pausas, pois na bibliografia especializada não se encontra teste para capoeira.

O tamanho da amostra deve ser considerado; no entanto, para início de pesquisa alguns resultados podem colaborar com estudos futuros. O ajuste dos protocolos foi a partir de estudos especializados em treinamento desportivo da estrutura de periodização (GAMBETTA, 1991; FRY, 1992; BAKER, 1993; TSCHIENE, 1992).

7. Considerações finais

Conclui-se que, para os capoeiristas desportivos que desempenham movimentos e acrobacias com alto grau de dificuldade, a periodização apresenta informações pertinentes ao treinamento, tornando mais simples sua organização. Deste modo o treino utilizado hoje por capoeiristas pode ser reformulado com objetivo de alto rendimento. Diante do método tradicional da capoeira, não foi encontrado registro de que o processo de periodização tenha sido empregado a capoeiristas desportivos de forma científica. A otimização do treinamento para capoeira e a conseqüente melhora do rendimento nas rodas podem ser obtidas com a periodização. Esta afirmativa merece ser comprovada por mais estudos na área do treinamento de capoeiristas, como ocorre em outros esportes.
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Características funcionais de atletas de Jiu-Jítsu



O colega Raphael Benassi publicou um artigo recente sobre algumas evidências observadas por meio de suas avaliações realizadas com atletas de Jiu-Jítsu. Agradecemos pela gentileza de enviar o artigo, no qual divulgamos neste Blog as partes principais para os interessados.

Leandro Paiva


Título: Características morfo-funcionais de crianças e adolescentes, atletas de jiu-jitsu

Autores: Prof. Raphael Benassi & Prof. Dr. Alexandre Herculano Borges de Araújo

Fonte: http://www.efdeportes.com


Introdução


O Jiu-Jitsu é uma luta de origem japonesa cujo objetivo é, após projetar o adversário ao solo, dominá-lo utilizando técnicas de imobilização, posições de estrangulamentos ou chaves articulares. As técnicas de estrangulamento e de chave articular, quando efetivamente aplicadas, tendem a fazer com que o adversário desista do combate, sinalizando com a batida no solo. Nessa modalidade todos os atletas são subdivididos de acordo com sua graduação técnica (faixas) e sua massa corporal. Um dos princípios do Jiu-Jitsu está na utilização de movimentos que constituem alavancas mecânicas, possibilitado que um indivíduo que possua menor nível de força muscular possa derrotar um adversário com níveis mais altos dessa qualidade física, porém que detenha menores níveis de habilidade nas execuções das técnicas (FRANCHINI, E.; TAKITO, M. Y.; PEREIRA, J. N. C, 2003).

Apesar do grande sucesso desta arte marcial, poucos estudos foram publicados sobre essa modalidade esportiva (DUBAS et al., 2002; GULAK et al., 2003; MOREIRA et al., 2001; MOREIRA et al., 2003; SILVA et al., 2003). Tendo em vista tal escassez científica, muitos questionamentos são apresentados, entre eles qual o perfil morfo-funcional de atletas em idade escolar, praticantes dessa modalidade?

Sendo assim, o objetivo geral deste estudo foi o de identificar características morfológicas e de aptidão física de praticantes de Jiu-Jitsu. Especificamente o estudo investigou as medidas antropométricas básicas, como estatura, massa, composição corporal e maturação sexual e os padrões de aptidão cardiorrespiratória e de aptidão neuromuscular, em praticantes de Jiu-Jitsu com idade entre oito e dezoito anos.

Materiais e métodos

Este estudo foi realizado com o delineamento descritivo, que objetiva descrever uma determinada situação em uma determinada circunstância (THOMAS & NELSON, 2002).

A amostra foi composta por 52, com idades compreendendo entre 10 e 17 anos, estudantes saudáveis, do sexo masculino, pertencentes à rede pública municipal, estadual e privada de ensino do município do Rio de Janeiro, moradores do bairro de Campo Grande, regularmente inscritos e ativos no programa de iniciação esportiva da modalidade Jiu-Jitsu, desenvolvido em um centro esportivo municipal localizado no referido bairro.

Para avaliação da massa corporal e estatura da amostra, foram utilizados uma balança clínica eletrônica, com precisão de 0,1Kg (Filizola®, Brasil) e um estadiômetro portátil, modelo personal portátil (Sanny®, Brasil) com capacidade máxima de 204 centímetros e variação de 0,5cm.

Para mensuração do nível de aptidão cardiorrespiratória (Vo2máx), foi utilizando um cardiofreqüencímetro modelo M52 (Polar Oi®, Finlândia), utilizando o recurso Polar Ownindex® que realiza este tipo de teste sem a necessidade de esforços físicos.

Para a avaliação da Força de Preensão Manual foi utilizado um dinamômetro hidráulico manual, marca JAMAR® (Asimow Engineering®, EUA)

Para avaliação da potência de membros inferiores foi utilizada uma trena com precisão de 0,1cm (3M®, Brasil), em uma pista construída no solo com fita adesiva (3M®, Brasil), compreendendo uma área livre de três metros de comprimento.

Como critérios de inclusão no estudo ficou determinado que os participantes não pudessem estar praticando nenhuma outra atividade física sistemática além do Jiu-Jitsu, que deveriam estar em estado ativo na referida atividade por um período mínimo de vinte e quatro semanas, participando normalmente do programa de prática esportiva no referido complexo esportivo, independente de sua graduação técnica.

Análise e discussão dos resultados

Nas análises indiretas do consumo máximo de oxigênio (Vo2máx), os sujeitos apresentaram score médio de 39,5±3,7 ml/kg/min-1. Em relação ao teste de potência de membros inferiores e força de preensão manual, os scores alcançados foram de 1,9±0,4m e 35,4±14,0 Kg/f, respectivamente.

O IMC apresenta em crianças e adolescentes significativas variações relacionadas à faixa etária e maturidade sexual. Esta variável tem sido utilizada com frequência como instrumento indicador de obesidade nesses grupos (HIMES & DIETZ, 1994), apresentando significativas correlações com medidas das dobras cutâneas e densitometrias gerais neste grupo etário (REVICKI & ISRAEL, 1986).

Como o Jiu-Jitsu é subdividido em categorias de massa corporal (kg), a estimativa da composição corporal de atletas representada pelo IMC, permite analisar a possibilidade de um atleta reduzir seu peso corporal objetivando competir em uma categoria abaixo da sua, que engloba sujeitos com menores níveis de massa corporal, evitando a ocorrência de significativa diminuição de massa muscular e/ou desidratação, sabendo que uma baixa quantidade de gordura corporal é recomendada na maioria das modalidades esportivas (FRANCHINI et al, 1997).

Em relação às variáveis antropométricas, os dados aqui apresentados assemelham-se significativamente com estudo realizado por Franchini, Takito & Kiss (2000), que analisaram as variáveis antropométricas de oito Judocas treinados, com média de idade de 15,6±1,0 anos, massa corporal de 64,0±5,6kg e estatura de 1,7±0,5m. Percebe-se que nos dois estudos as estaturas dos sujeitos avaliados apresentam-se semelhantes em relação ao desvio padrão, o que pode ser explicado tendo em vista a proximidade das faixas etárias abordadas.

Em relação ao IMC, Franchini, Takito & Kiss (2000) encontraram valores de 21,38 ± 2,3 kg/m2 no grupo avaliado. Já Benavent, Carqués e Carratalá (2003), em estudo realizado com trinta e nove atletas do sexo masculino, pertencentes à Seleção Espanhola de Judô, encontraram valores de IMC de 20,88±3,12 kg/m2 para a categoria infantil e 23,42±3,51 kg/m2 na categoria juvenil. Percebe-se que, quando comparado ao nosso estudo, esta variável apresenta uma correlação entre os três estudos, fato explicável pela homogeneidade dos grupos e o esporte abordado.

O consumo máximo de oxigênio ou potência aeróbia máxima (VO2máx), representa a maior quantidade de ATP que um indivíduo pode ressintetizar de forma aeróbica, definido como a velocidade em que o oxigênio é consumido (DANTAS, 2003). Pollock & Willmore (1993) demonstram a existência de diversos métodos classificados como diretos e indiretos, que objetivam mensurar essa variável funcional, na maioria deles exigindo a realização de esforços físicos em seus testes. O método direto (Ergoespirometria) determina o VO2máx de um indivíduo através de coleta dos gases inspirados e expirados (troca gasosa) durante um exercício com alta intensidade e duração. Os métodos indiretos utilizam equações matemáticas, ou também testes físicos, que estimam o VO2máx a partir de outras variáveis fisiológicas como a freqüência cardíaca (FC), medidas antropométricas como massa corporal e estatura, e/ou dados do rendimento no exercício, como a distância máxima percorrida, o tempo de resistência à um esforço, a freqüência de movimentos, geralmente obtidos em esforços submáximos.

Atualmente, um sujeito, para ser considerado “treinado”, deve apresentar um valor mínimo de Vo2máx de 40ml/kg/min-1, ou valores superiores a este (LEITE, 2000). O resultado obtido em nosso estudo demonstra que mesmo sabendo que a faixa etária aqui abordada é, de forma relativa, considerada baixa, o nível de condicionamento apresentado nesta variável foi muito satisfatório, o que levou à classificação de treinados, atingindo score médio de 39,5±3,7 ml/kg/min-1. Vale ressaltar que os valores de VO2máx tendem a aumentar de acordo com o crescimento e desenvolvimento físico em crianças e adolescentes, assim como a potência aeróbica relativa tende a decrescer com o aumento da massa corporal (MACHADO; GUGLIELMO & DENADAI, 2002). Os atletas de judô, pertencentes às categorias meio pesado e pesado apresentam scores de VO2máx relativo abaixo dos valores de atletas de outras categorias (FRANCHINI, 2001).

Segundo Franchini (1999), alguns estudos foram realizados objetivando identificar os níveis de potência aeróbia de atletas competidores de Judô. A partir da análise destes estudos o autor conclui que mesmo sendo a capacidade aeróbia importante para esta arte marcial, a mesma não exige valores muito elevados de VO2máx. (65 ml/kg/min-1 para homens e 55 ml/kg/min-1 para mulheres), o que não indica que valores superiores aos identificados possam trazer algum tipo de vantagem durante uma luta.

Mesmo sendo o método empregado para a avaliação cardiorrespiratória neste estudo ainda não ser amplamente utilizado ou conhecido, o que pode gerar críticas no meio científico, deve ser ressaltado que o Ownindex Polar® foi testato e validado em estudos recentes (CROUTER; ALBRIGHT & BASSETT, 2004; CRUMPTON et al, 2003), que mostraram suas vantagens na rapidez na sua execução, na segurança e também pelo dato de não ser necessário expor o avaliado a um esforço físico ao qual não está habituado, sendo este aspecto um fator determinante nos resultados do teste (GODOY E BARROSO, 1999). Porém, para uma perfeita execução deste teste, é necessário que ao inserir os dados no instrumento (monitor), o avaliador estime de maneira mais precisa possível a classificação do avaliado em relação ao seu estado atual do nível de atividade física (GODOY E BARROSO, 1999).

O teste de impulsão horizontal objetiva mensurar, de forma indireta, a máxima potência muscular desenvolvida pelos membros inferiores. Neste estudo os dados apresentados (1,9±0,4m) comprovam que o grupo avaliado apresentou bons resultados nesta variável, obtendo um desempenho superior quando comparado aos dados apresentados por De Preux e Guerra (2006), que avaliaram trinta e cinco atletas de judô, do sexo masculino, pertencentes a equipe do Unileste (MG), com idades compreendendo a zona entre sete e treze anos, que apresentaram valores médios de 1,5±0,25m na impulsão horizontal, ressaltando que não foram encontradas na literatura maiores abordagens sobre este tipo de avaliação funcional aplicadas em esportes de combate. Tel diferença apresentada pode ser explicada pelo fato de que a faixa etária avaliada no estudo apresentado por De Preux e Guerra (2006) é relativamente menor do que a amostra avaliada em nosso estudo.

O termo “força muscular” é normalmente utilizado para descrever a capacidade da fibra muscular em exercer uma tensão decorrente de uma necessidade funcional. Tal valência pode ser classificada de três formas de acordo com sua manifestação: força isométrica, força isotônica e força isocinética (FLECK & KRAEMER, 1999).

Nos movimentos aplicados no Jiu-Jitsu, que utiliza-se de valências físicas como resistência muscular localizada (RML), flexibilidade, etc, a qualidade física “força” se mostra de suma importância para o melhor rendimento físico de seus praticantes, principalmente a força de preensão manual aplicada em lutas que exigem maior contato entre os atletas (FRANCHINI, 1999).

Sabendo que esta característica funcional pressupõe o nível de força total que um corpo pode apresentar (BALOGUM et al, 1991; DURDWARD et al, 2001; NAPIER, 1983; TERAOKA, 1979), além de ser um importante instrumento de avaliação do estado nutricional de um indivíduo (KLIDJIAN et al, 1980; FIGUEIREDO et al, 2000).

Esta manifestação funcional neuromuscular é uma medida relacionada à força isométrica, que é caracterizada pelo emprego de uma força máxima sobre um objeto, fazendo com que um músculo realize uma contração, permanecendo tensionado por um curto período de tempo (SCHLUSSEL et al, 2008).

Há anos vários instrumentos de avaliação da força foram projetados e construídos, sejam eles de construções simples (equipamentos de pressão sanguínea), ou que apresentam maior complexidade (sistemas informatizados). Bechtol (1954) projetou, desenvolveu e construiu um equipamento altamente eficiente para mensuração da força de preensão manual, o dinamômetro manual JAMAR®, que é, atualmente, recomendado pela Associação Americana de Terapeutas de Mão (ASHT) para avaliação desta variável, sendo o dinamômetro JAMAR® considerado, segundo Mathiovetz et al (1984), o instrumento mais confiável para uso em avaliações deste tipo.

Neste estudo, os resultados apresentados para a força de preensão manual foram 35,4±14,0 Kg/f, semelhantes, considerando o desvio padrão apresentado, ao estudo realizado por Franchini, Takito e Pereira (2003), que avaliaram atletas-competidores de Jiu-Jitsu, com 25±5,8 anos de idade, 175,2 ± 6,4 cm de estatura, 76,7±11,2kg de massa corporal, e 42±25,2 meses de prática de Jiu-Jitsu, apresentando média de 47,3±6,7kg/f nesta variável, valendo ressaltar que, segundo a literatura, os valores de tal valência se mostram diretamente proporcionais em crescimento de acordo com idade até os trinta e dois anos, onde apresentam um declínio após este teto (limite) etário (DURDWARD et al, 2001). Em estudo similar, apresentado por Franchini, Takito & Kiss (2000), que avaliaram atletas de Judô, as médias de 38,3±6 kg/f de força de preensão manual foram encontradas em fase pré-competitiva (preparatória), o que corrobora com os dados apresentados em nosso estudo, mostrando a grande equivalência de valores médios entre os grupos avaliados em ambos os estudos, tendo em vista o desvio padrão apresentado em ambos.

Segundo Roemmich & Sinning (1996), que apresentaram um estudo realizado com atletas adolescentes de Luta Olímpica, afirmam que os níveis de força de preensão manual não apresentaram mudanças significativas nas fases inicial, média e final do período competitivo, o que não foi observado por Franchini, Takito & Kiss (2000), que avaliaram atletas de Judô em plena adolescência, que mostraram que os níveis de força de preensão manual apresentaram um crescimento com o decorrer das fases de treinamento, o que pode ser justificado pelo fato de que no Judô, assim como no Jiu-Jitsu, os atletas realizam constantes picos de contração isométrica através das variadas pegadas realizadas nos quimonos dos adversários, o que não ocorre com tanta constância na Luta Olímpica, onde os atletas realizam movimentos de preensão manual na superfície dérmica do adversário, o que tende a dificultar significativamente uma constante preensão isométrica em cada movimento (FRANCHINI, TAKITO & KISS, 2000).

Conclusão

Em função da escassez de referenciais bibliográficos, os resultados apresentados em nosso estudo contribuem significativamente para uma melhor compreensão desta arte marcial, de forma que treinadores e profissionais da área de educação física devidamente capacitados possam utilizar estes dados como valores de referência para avaliações a serem realizadas com seus atletas dentro da faixa etária abordada, proporcionando identificar o nível atlético que os mesmos apresentam em um determinado momento, objetivando assim o desenvolvimento de planejamentos físicos, técnicos e treinamentos específicos mais eficazes para este público.

Cabe ressaltar que o fato de o índice de massa corporal (IMC) do grupo avaliado apresentar valores pouco acima da classificação “normal”, o que poderia indicar um fator de risco para a saúde (obesidade), é explicável pela grande presença de massa muscular em atletas praticantes de Jiu-Jitsu, o que acarreta em um aumento significativo da relação entre massa corporal total e estatura, ocasionando assim, valores de IMC acima do padrão.

Recomendamos que futuros estudos a serem realizados nesta modalidade, abrangendo mais sujeitos, gênero e faixas-etárias variadas, abordando dados antropométricos como somatotipo, composição corporal e circunferências segmentares possam ser realizados, objetivando apresentar uma maior gama de informações sobre esta arte marcial.
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Judô brasileiro recorre à ciência em busca de "DNA de campeão"

Destaque do judô brasileiro, Rafaela Silva coleta material genético para estudo.





As histórias de vida dos medalhistas olímpicos do judô brasileiro apresentam semelhanças e diferenças entre si, mas todos eles têm algo em comum: a presença de uma proteína específica em seus DNAs, capaz de desenvolver mais força em um indivíduo. Ciente deste fato, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) se aliou à ciência para buscar jovens talentos que, geneticamente, estejam predispostos a obter um futuro brilhante na modalidade. No entanto, salientam os especialistas, os laboratórios não substituirão os tatames para o desenvolvimento de um atleta.

Um estudo mostrou que os 12 judocas brasileiros que já subiram a um pódio olímpico possuíam a proteína alfa-actinina 3 em sua sequência genética. Esta substância, hereditária, trabalha na zona muscular do individuo: aumenta a conexão entre as fibras e ajuda o atleta a desenvolver mais força física. Característica vital para o judô.

Mas... será que é possível conhecer um campeão olímpico apenas pela sua condição hereditária? "Sim. É muito difundido na literatura mundial que é possível buscar marcadores que estão no genoma do indivíduo", responde João Bosco Pesquero, pesquisador e biologista molecular, responsável pelo curioso estudo da CBJ, em parceria com Douglas Vieira, judoca vice-campeão olímpico em Los Angeles-1984 e atual técnico da Seleção Sub-20. Douglas, por sinal, possui a alfa-actinica 3 em seu organismo.

Sabendo da importância da proteína no organismo de um atleta de judô, a CBJ tratou de estudar o DNA dos 64 atletas das categorias de base da Seleção Brasileira. Enquanto descansavam durante o treinamento desta terça-feira, em São Paulo, os jovens lutadores raspavam o lado interno da bochecha com uma pazinha plástica para que seu conteúdo genético fosse analisado posteriormente pelos especialistas.

O procedimento surpreendeu alguns judocas. "Foi estranho, parecia que a gente estava escovando os dentes", conta, sorrindo, a promissora Rafaela Silva, 18 anos, campeã mundial sub-20 em 2008 e integrante do time adulto na categoria leve (até 57 kg).

A presença da alfa-actinina 3 no organismo é hereditária. Ou seja: os filhos dos judocas brasileiros medalhistas olímpicos terão essa substância em seus genes. O que não significa, necessariamente, que esta é a receita para o sucesso. "Não podemos esquecer que a criação e o desenvolvimento de cada pessoa são muito importantes, fatores essenciais. Por exemplo: dois irmãos gêmeos, que contêm o mesmo material genético, podem desenvolver aptidões distintas se criados de maneira diferente", salienta Douglas Vieira.

A retórica também é verdadeira: um jovem judoca que não tenha a proteína em seu genoma não precisa abandonar a carreira e nem está fadado ao fracasso. "De jeito nenhum, não podemos excluí-los. A alfa-actinina 3 apenas nos dá um pouco mais de certeza de que os resultados podem acontecer. Queremos traçar um mapeamento completo do DNA de todos" explica Douglas. "A ideia é poder orientar os atletas para terem um rendimento melhor, ajudar a evitar lesões, e não impedi-lo de trabalhar", complementa Pesquero.

Caso alguém queira descobrir se possui um "DNA de campeão" para o judô, poderá realizar o mesmo exame pelos quais foram submetidos os integrantes das categorias de base da CBJ. Para isso, basta buscar mais informações junto ao laboratório Helixxa, que patrocina o estudo com os judocas. O preço de cada teste é de aproximadamente R$ 300, segundo Pesquero.


Fonte: http://esportes.terra.com.br/
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Quanto tempo julga ser necessário para o atleta se tornar super elite (primeiro lugar frequentemente em competições relevantes)?



Em nossa última enquete realizamos a seguinte pergunta aos internautas:

Quanto tempo julga ser necessário para o atleta se tornar super elite (primeiro lugar frequentemente em competições relevantes)?

Seguem os resultados de acordo com a opinião dos leitores:

5 anos (31%)

3 anos (27%)

10 anos (25%)

1 ano (9%)

6 meses (5%)

3 meses (4%)

Aproveitando, convido a todos para participar da próxima enquete (coluna do lado esquerdo do Blog), respondendo a seguinte pergunta: Qual método suspeita que os lutadores de MMA mais utilizam para escapar do exame anti-doping?
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Novidade na Preparação Física para MMA



É muito difícil nos surpreendermos. Entretanto, sejamos justos: desta vez nos "pegaram" de surpresa. Aproveitando o relativamente "novo" precedente de trabalho de professores de lutas e artes marciais, além de alguns preparadores que utilizam movimentos específicos de luta com intuito de condicionamento físico (fitness), uma indústria de games decidiu desenvolver um console pegando carona no crescimento do UFC.

Assim, o "UFC Personal Trainer", eleva a tecnologia de entretenimento para massas a um novo patamar, com a vantagem de trazer diversão associada ao árduo trabalho de condicionamento físico. Para conhecer o console, sugerimos que assistam o material audiovisual logo abaixo deste texto.

Consideramos ótima pedida para aficionados e os denominados "lutadores de controle remoto" (tribo dos que sabem tudo sobre MMA, UFC, etc. apenas pela TV, mas na realidade nunca colocaram um quimono...), iniciarem a prática de exercícios físicos tentando repetir os exercícios mais utilizados pelos seus ídolos dos ringues.


Contudo, como nem tudo são flores, como professor de Educação Física, recomendamos ponderação e discernimento, utilizando o console adaptado ao condicionamento atual de cada um. Além disso, claro, não custa um "nada consta" por intermédio de avaliação médica e física antes de resolver ficar três horas por dia copiando os exercícios de George Saint Pierre e Cia.

Para atletas, o game pode ser muito útil com intuito de aquecimento ou mesmo na fase de transição do treinamento, no qual devem se manter ativos, porém sem a pesada carga de trabalho tão necessária para lutadores de alto nível nos meses que antecedem algum combate agendado.

Leandro Paiva

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Exposição "Lutadores do Mundo"

Cesare Pergola inaugura a exposição Lutadores do Mundo, no Museu Afro-Brasil. Com 30 pinturas em óleo sobre tela onde retrata lutadores posicionados para ação, de diversas localidades e modalidades, onde o artista faz uma analogia ao esforço pela sobrevivência, tão semelhante nos cinco continentes. Com curadoria de Emanoel Araujo, o pintor e artista visual italiano faz uma metáfora, às lutas da humanidade tanto antiga como contemporânea. Durante o período da mostra serão exibidos dois vídeos de autoria do artista sobre Sumô e Muay-Thai, bem como um objeto luminoso. .[Exposição: Cesare Pergola – “Lutadores do Mundo”, de 15 de abril a 28 de maio de 2011,de terça a domingo das 10h às 17h, no Museu Afro-Brasil,Av. Pedro Alvares Cabral, s/n - Parque do Ibirapuera - Portão 10. Telefone: (11) 3320-8900 Curadoria: Emanoel Araújo 33 obras Técnica: óleo sobre tela, vídeo-artes, objeto. www.museuafrobrasil.org.br]. O pintor italiano Cesare Pergola abre a exposição Lutadores do Mundo, no Museu Afro-Brasil onde, através de 30 telas projetadas em pinceladas nervosas, o artista traz a tona o embate dos homens fazendo uma analogia à busca pela sobrevivência humana e por justiça entre as classes. Com curadoria de Emanoel Araujo, a mostra é marcada também por levar um objeto luminoso e dois vídeo-artes sobre o Sumô e Muay-Thai, produzidos por Cesare, através de imagens captadas em suas viagens pela Ásia. Se apropriando de suas habilidades como arquiteto e designer virtual, Cesare Pergola ensaia no computador todos os detalhes da imagem, desde a sombra, a composição e o tamanho, sempre inspirados em fotografias. Apenas as cores e o formato das pinceladas ganham o improviso no painel. “Como arquiteto, me ponho de frente à tela já com a idéia de como vai ficar o trabalho”, declara. “O que mais me satisfaz como artista, é o prazer de ver a tinta ganhando forma”, conclui Pergola. A cada obra, a busca pelo aperfeiçoamento aguça a inspiração do artista. Entre a produção de uma tela e outra, Cesare desafia seu próprio perfeccionismo, usando o pincel e a espátula como seus aliados. Entre linhas mais fortes ou mais suaves, a tonalidade das obras é encontrada com a tinta, sempre em cores primárias, já colocadas na tela; não há mistura prévia de pigmentos. Além disso, é possível perceber na série Lutadores do Mundo, o empenho do autor em reproduzir fielmente os modelos em que se baseia. Essa exposição no Museu Afro-Brasil é considerada por Cesare Pergola como sua primeira grande exibição no País e um marco em sua carreira artística. Depois de alguns anos longe dos pincéis e das tintas, se dedicando apenas a arquitetura, retoma a vida como pintor já projetando novas séries. “Quero continuar a reproduzir as imagens em tela. Sempre gostei, mas a carreira de arquiteto me pedia exclusividade”, diz. As imagens das telas destacam lutadores de diversas modalidades e em posição de combate. Faz alusão tanto ao esporte, quanto aos rituais indígenas. Origem das lutas- A história das lutas se confunde com a história da humanidade, quando o homem empregou a luta como expressão viva da sua espécie de modo a demonstrar seus sentimentos primitivos. A primeira batalha física profissional entre homens, que conhecemos é a luta Greco-romana, onde os gregos reconheciam a luta livre como uma excelente forma de desenvolver a destreza física e mental. Este apreço pela modalidade fez com que passasse a ser um esporte oficial nos Jogos Olímpicos a partir de 704 D.C. As competições de luta livre são mencionadas na literatura grega, incluindo a Odisséia de Omero, que data de 800 a.C. Perfil- O Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, é um espaço de preservação e celebração da cultura, memória e da história do Brasil na perspectiva negro africana, assim como na difusão das artes clássicas e contemporâneas, populares e eruditas, nacionais e internacionais. Localizado no Parque Ibirapuera, em São Paulo, foi inaugurado em 23 de outubro de 2004 e possui um acervo de mais de 5 mil obras. Parte destas obras, cerca de 2.100, foram doadas à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo pelo artista plástico e curador, Emanoel Araujo, idealizador e atual diretor-curador do Museu. A biblioteca do museu, cujo nome homenageia a escritora, "Carolina Maria de Jesus", possui cerca de 6.800 publicações com especial destaque para a coleção de obras raras sobre o tema do Tráfico Atlântico e Abolição da Escravatura no Brasil, América Latina, Caribe e Estados Unidos. A presença negra africana nas artes, na vida cotidiana, na religiosidade, nas instituições sociais são temas presentes na biblioteca. O museu mantém um sistema de visitação gratuita para todas as exposições e atividades que oferece; um Núcleo de Educação com profissionais que recebem grupos pré-agendados, instituições diversas, além de escolas públicas e particulares. Através do Núcleo de Educação também mantém o programa "Singular Plural: Educação Inclusiva e Acessibilidade", atendendo exclusivamente pessoas com necessidades especiais e promovendo a interação deste público com as atividades oferecidas. Em 2009, a Associação Museu Afro Brasil, que administra o museu tornou-se uma das Organizações Sociais ligadas à Secretaria de Estado da Cultura. A gestão compartilhada do Museu Afro Brasil atende a uma resolução da Secretaria que regulamenta parcerias entre o governo e pessoas jurídicas de direito privado para ações na área cultural. Fonte: www.revistafator.com.br
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